Polícia investiga ‘ranking’ com fotos de estudantes e ‘avaliações’ de teor sexual
Estudantes da Unoeste, em Presidente Prudente, são vítimas da montagem criminosa e pedem rigor nas investigações
A Polícia Civil de São Paulo, por meio da Delegacia de Defesa da Mulher de Presidente Prudente, abriu inquérito para apurar de quem é a responsabilidade pela criação de um “ranking” com conotação sexual divulgado na cidade do interior paulista com rostos de pelo menos 53 mulheres — estudantes de psicologia de uma universidade particular do município. As imagens do “ranking” foram compartilhadas nas redes sociais e geraram revolta. Um protesto das estudantes da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) foi realizado na noite de quinta-feira, 20, para cobrar investigações e punições aos envolvidos no caso.
VEJA questionou a assessoria de imprensa da faculdade nesta sexta-feira, 21. Em nota (leia a íntegra ao final), a instituição respondeu que “desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais”.
De acordo com as imagens reproduzidas nas redes sociais, os rostos das jovens foram colocados em uma espécie de “ranking” e as respectivas “classificações” com teor sexual. Durante a manifestação em uma das entradas da universidade, as mulheres protestaram contra a ideologia red pill, que, segundo a Agência Brasil, “é termo inspirado no filme Matrix, em que o protagonista toma uma pílula vermelha que dá a ele consciência da realidade. Na machosfera, descreve homens que acreditam ter ‘despertado’ para uma suposta realidade em que as mulheres manipulam e exploram os homens. Pregam que o homem deve reassumir o domínio e manter a mulher submissa”.
Ainda segundo as mensagens compartilhadas, que começaram por meio de grupo privado de WhatsApp, há outros crimes cometidos, como injúria, tipificação penal existente para proteger a honra e a dignidade de uma pessoa. As estudantes vítimas da montagem no “ranking” e movimentos feministas da cidade se uniram para compartilhar os pedidos de investigação do caso. Segundo comentários feitos em páginas locais, todas continuarão cobrando a investigação policial e também atitudes da universidade para que os responsáveis sejam identificados e punidos.
Leia a íntegra da nota da Unoeste
A Unoeste recebeu somente nesta quinta-feira (20) a denúncia sobre a criação e a circulação de conteúdo com exposição de acadêmicas.
Desde que tomou conhecimento do caso, a apuração foi iniciada imediatamente e está sendo conduzida com prioridade e rigor. Identificadas as responsabilidades individuais, serão aplicadas as sanções previstas nas normas institucionais.
Paralelamente, a Universidade está acolhendo, amparando e ouvindo as acadêmicas envolvidas, com o cuidado necessário para preservar sua integridade, sua privacidade e sua dignidade.
A Unoeste repudia qualquer forma de exposição, assédio, constrangimento ou desrespeito à dignidade de integrantes de sua comunidade acadêmica. Também reforça a importância de não compartilhar imagens, nomes ou conteúdos relacionados ao caso, pois pode ampliar a exposição e os danos às pessoas envolvidas.
A instituição destaca ainda que mantém canais seguros e sigilosos para o recebimento de denúncias, com possibilidade de anonimato e preservação da identidade: a Ouvidoria (no site da Unoeste) e outros canais de denúncia.
A Unoeste seguirá adotando todas as providências necessárias para a apuração e o cuidado com as pessoas envolvidas.







