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Polícia investiga ordem de Beira-Mar para ataque ao AfroReggae

Justiça autorizou encontro com Marcinho VP em presídio de segurança máxima; traficante disse para mandar um “salve” [ataque] para coordenador de ONG

Por Da Redação 12 ago 2013, 10h07

A ordem para os ataques à ONG AfroReggae, no Complexo do Alemão (RJ), pode ter saído de dentro do presídio de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná, durante uma conversa entre dois dos maiores traficantes do país: Luís Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, e Márcio Santos Nepomuceno, o Marcinho VP. A investigação sobre o envolvimento dos chefes da facção Comando Vermelho com o caso havia sido antecipada pela coluna Radar On-line. Na noite deste domingo, reportagem do Fantástico, da Rede Globo, trouxe o conteúdo da conversa dos criminosos, que tiveram seu encontro autorizado pela Justiça.

Beira-Mar, que fica em uma galeria especial monitorada 24h, havia se queixado de solidão e pediu para ter contato com outros presos. A Justiça autorizou a visita de VP, que aconteceu no parlatório no dia 10 de maio. Os traficantes ficaram separados por um vidro e conversaram por telefone. Tudo ficou gravado.

Na ocasião, VP comentou com Beira-Mar sobre a prisão do pastor Marcos Pereira, acusado de estuprar fiéis e que também é investigado por homicídio, lavagem de dinheiro e associação ao tráfico de drogas. Uma das denúncias contra o pastor partiu do coordenado do AfroReggae no Alemão, Jorge Junior, que já havia afirmado ter recebido ameaças de traficantes da favela.

VP acusa Jorge Junior, chamado pelos traficantes de Juninho, de forjar as denúncias: “Compraram um montão de testemunhas para dar depoimento contra ele [o pastor]”. “Foi o Juninho que estava por trás disso, né”, responde Beira-Mar. “Tinha que mandar um salve lá para ele”, completa. A expressão “salve”, na linguagem do tráfico, significa “ataque” ou “represália”. Foi esse trecho que chamou a atenção da polícia.

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Após a conversa, a sede do AfroReggae foi atacada nos dias 16 e 30 de julho e em 1º de agosto. A entidade chegou a anunciar que deixaria a favela, mas decidiu retomar as atividades no Alemão.

A promotoria responsável pela prisão de Beira-Mar e VP diz que a Justiça menosprezou o poder que ambos ainda tem, mesmo dentro dos presídios, ao autorizar o encontro. “Se na unidade mais segura que temos no país eles conseguiram fazer o que fizeram, imagine o que não fariam se estivessem em qualquer outro presídio do Brasil”, declarou o promotor de Justiça André Guilherme Freitas à reportagem do Fantástico.

Em depoimentos à polícia do Rio, os traficantes negaram qualquer tipo de envolvimento com os atentados. Em 2 de agosto, segundo a reportagem, ambos foram punidos com dez dias de isolamento no presídio.

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