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Polícia do Rio ocupa favelas do Lins para instalar UPP

Operação iniciada às 5h57 ocorreu sem resistência dos traficantes

Forças de segurança do Rio de Janeiro ocuparam na manhã deste domingo o Complexo do Lins, na zona norte da cidade. O objetivo da ação é garantir a instalação da 35ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), informou nesta manhã a GloboNews. Na região vivem cerca de 15 mil pessoas em doze comunidades. Participam da operação, que começou às 5h57, 1.141 homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), Polícia Rodoviária, Polícia Civil, Polícia Federal e Marinha. De acordo com a GloboNews, o secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, foi ao Centro de Operações da Prefeitura para comandar a ação no complexo de favelas do Lins. A ocupação ocorreu sem registro de tiros ou de algum tipo de resistência dos traficantes.

O modelo de atuação para esse tipo de ação está consolidado – para a polícia e para os criminosos, que já estão longe daquele local. A Polícia Civil recebeu ao longo da semana informações de que fuzis foram transportados para fora do Complexo do Lins em picapes. E uma parte deles, assim como os bandidos, estão ‘em segurança’ no Morro do Chapadão, na Pavuna, um reduto dos foragidos do tráfico no Rio.

O Complexo do Lins, como mostrou reportagem de VEJA em janeiro deste ano, também havia se tornado um refúgio de bandidos, entre eles foragidos da grande ocupação do Complexo do Alemão, em dezembro de 2010. As onze favelas ficam em uma região pobre da Zona Norte, onde quem dá as cartas é o Comando Vermelho. No início do ano, o site de VEJA exibiu um vídeo que mostra um grupo de traficantes armados circulando fortemente armados.

Um dos chefes do Lins é o traficante conhecido como Marreta, que fugiu do presídio Vicente Piragibe no início do ano. O domínio do tráfico no Lins utilizava-se dos mesmos mecanismos que mantiveram quadrilhas instaladas por décadas a fio sem serem incomodadas pela polícia. Um episódio desta semana mostrou como era pacífica a convivência dos bandidos com os policiais corruptos. Uma ação da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) no Lins resultou na prisão do cabo da Polícia Militar Hesten Duarte Alves Júnior, que, segundo os investigadores, estava no local para receber seu pagamento semanal de 800 reais dos traficantes. O PM bebia com dois bandidos, como se celebrasse o ritual da propina.

Mau momento – A Polícia Militar atravessa um momento delicado no estado do Rio. Com a tropa sobrecarregada pelos constantes protestos de rua, que mobilizam principalmente o Batalhão de Choque, a cúpula de segurança administra uma sequência de episódios de péssima repercussão. O último, e mais difundido deles, foi o confronto com professores em greve, inflamados propositalmente por integrantes do movimento Black Bloc.

Na última segunda-feira, dois oficiais, um major e um tenente, foram flagrados tentando forjar a apreensão de morteiros com um manifestante. Um vídeo gravado por pessoas que participavam do protesto mostra o momento em que um morteiro e jogado no chão por um policial. A PM esclareceu que o rapaz detido não foi autuado por porte de explosivos, mas a formalidade em nada ameniza o fato de que um jovem foi levado para “averiguação” de forma aleatória.

A PM ainda enfrenta, permanentemente, desde julho, a repercussão nacional do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, levado para a UPP da favela da Rocinha e nunca mais visto. Um major, um tenente e outros dois policiais foram indiciados e devem ser denunciados por tortura e morte de Amarildo. O episódio da Rocinha é, até o momento, o que mais desgastou a política de pacificação do secretário de Segurança José Mariano Beltrame.

UPPs – As Unidades de Polícia Pacificadora foram e são o cartão de visitas do governo Sérgio Cabral. Até o momento, há 34 UPPs instaladas, que, segundo o governo do estado, beneficiam 1,5 milhão de pessoas, em 226 “territórios retomados pelo estado”, informa o site oficial do programa. Estão envolvidos no programa 8.592 policiais. A meta do governador e do secretário Beltrame é de chegar a 2014 com 40 dessas unidades.

De fato, as UPPs estão diretamente ligadas a uma série de transformações na cidade. Favelas da Zona Sul, como o Morro Dona Marta, onde foi criada a primeira UPP, e o Morro da Babilônia, tornaram-se pontos de visitação de turistas, com um calendário de eventos que atrai cariocas e visitantes. O problema é que nem sempre é possível estabelecer o mesmo grau de tranquilidade. Em favelas grandes, ou complexos com o do Alemão e da Maré, os policiais com treinamento de “proximidade” pouco podem fazer para coibir a resistência dos traficantes.

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(Com Estadão Conteúdo)