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Polícia divulga novas gravações de Wellington falando de bullying e detalhando planos do massacre

Em tom professoral, o perturbado assassino deixa "alerta" às autoridades e diz que se tornou "um combatente", em outra demonstração de covardia

Por João Marcello Erthal e Rafael Lemos, do Rio de Janeiro 15 abr 2011, 13h57

Ignorando o mal que causaria, Wellington se perde em sua própria loucura quando diz como devem ser as instituições de ensino. “Escolas e Universidades são lugares de ensino, aprendizado e respeito. Se tivessem agido antes, o que aconteceu não teria acontecido”, diz o maníaco, num sinal claro de que imaginava as consequências e a repercussão do ataque

Quatro vídeos divulgados na manhã desta sexta-feira pela Secretaria de Segurança do Rio mostram o autor do massacre na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo, fazendo mais referências a humilhações e agressões sofridas na escola e dando detalhes do plano que viria a executar dias depois. As mensagens, cuidadosamente preparadas – talvez até ensaiadas – deixam evidente a perturbação mental do assassino, que fala de “proteger os fracos” ao mesmo tempo em que avisa que mataria inocentes.

Em uma das mensagens, em tom quase professoral, Wellington Menezes de Oliveira, ainda barbado, faz um ‘alerta’ dirigido às autoridades. “Que o ocorrido sirva de lição para as autoridades escolares. Para que descruzem os braços para as situações em que alunos são agredidos, humilhados”, diz, demonstrando raiva enquanto segura a câmera.

Ignorando o mal que causaria a seguir, no maior ataque armado a uma escola, Wellington se perde em sua própria loucura quando diz como devem ser as instituições de ensino. “Escolas e Universidades são lugares de ensino, aprendizado e respeito. Se tivessem agido antes, o que aconteceu não teria acontecido”, diz o maníaco, num sinal claro de que imaginava as conseqüências e a repercussão do ataque à escola.

Em outra gravação, o assassino lê uma mensagem com o mesmo texto encontrado impresso em sua bolsa, fazendo referência aos “impuros” que não deveriam tocar seu corpo e ao lençol branco para ser usado no sepultamento.

Há, no entanto, um dado que ainda não foi esclarecido em uma das mensagens. E o que parece é que ou o assassino se confundiu com a data ou já havia ‘ensaiado’ o crime em outubro do ano passado. “Hoje é quarta-feira, 6 de outubro de 2011, quase sete horas da noite. Estou saindo daqui de Sepetiba, me dirigindo para Realengo. Onde ficarei hospedado no Hotel Shelton para me preparar”, diz o perturbado Wellington, em uma imagem sem barba. É óbvio que de uma mente sem qualquer coerência não se espera precisão, mas, como já foi detectada uma mensagem sobre o ataque anterior a julho do ano passado, não se pode desconsiderar a possibilidade de que Wellington tenha feito esse movimento também em 6 de outubro de 2011 – também uma quarta-feira.

Wellington detalha alguns episódios que parecem tê-lo incomodado além da conta. “Provavelmente não imaginam o que passei. Como estar no ponto de ônibus, aparecer dois caras grandes e começar a humilhar, ridicularizar. Não diretamente, mas para atingir, te colocar para baixo, como meio de diversão desses covardes, desses cruéis. No fim, esse tipo de pessoa ainda diz: nada como rir da cara de um idiota.”

“Fui fraco, fui medroso, mas me tornei um combatente corajoso. Que tem como objetivo defender os fracos”, diz Wellington, falando ainda de Deus.

Além de causar muita dor, o perturbado Wellington acabou provando para o mundo exatamente o contrário do que parece querer demonstrar em suas mensagens: revelou-se alguém fraco, medroso, covarde e, como chegaram a dizer seus algozes, um idiota.

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