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Polícia de Nova York expulsa manifestantes do Ocupe Wall Street

Por Por Mariano Andrade 15 nov 2011, 17h15

A polícia de Nova York desalojou na madrugada desta terça-feira os manifestantes do movimento Ocupe Wall Strret da praça no sul de Manhattan onde acampam desde o início do protesto, em uma operação surpreendente que deixou ao menos 50 detidos.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, defendeu a decisão garantindo que foi gerada “uma situação intolerável” no parque Zuccotti, ocupado desde 17 de setembro por manifestantes que denunciam a cobiça e a corrupção de Wall Street.

“Lamentavelmente, o parque se tornou um local no qual as pessoas não iam protestar, mas sim violar a lei e, em certos casos, fazer mal aos outros”, explicou Bloomberg em uma coletiva de imprensa durante a manhã.

A maior parte dos manifestantes reunidos no parque Zuccotti, a 300 metros da bolsa de Nova York, foi evacuada à força em menos de uma hora pela operação, iniciada por volta de 01h00 (04h00 de Brasília), constataram jornalistas da AFP.

Doze manifestantes resistiram por mais algumas horas, rodeados por policiais, mas antes das 04h30 (07h30 de Brasília) a praça estava completamente vazia.

Durante a expulsão, alguns dos agentes colocaram grupos de manifestantes nos carros da polícia, enquanto outros derrubavam barracas e empilhavam os cartazes.

Cerca de 50 pessoas foram detidas durante a operação. Segundo advogados ligados ao Ocupe Wall Street, um membro do Conselho Municipal, Ydanis Rodriguez, está entre os presos.

Muitos dos manifestantes protestavam na manhã desta terça-feira em pequenos grupos em diferentes regiões do sul de Manhattan escoltados pela polícia, enquanto outros se reuniram na praça Foley, não muito longe do parque Zuccotti.

Centenas de manifestantes se reuniram em um novo espaço público do sul de Manhattan, em Nova York, com a determinação de prosseguir sua ação após expulsão do parque. Durante a manhã, realizaram uma assembleia geral na esquina entre a Sexta Avenida e Canal Street, segundo comprovou a AFP.

Cartazes no local denunciavam como brutal a intervenção da polícia.

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Embora a intenção da prefeitura fosse reabrir o parque pela manhã, o Zuccotti seguia fechado na sequência de um processo judicial movido por um grupo de advogados próximos ao Ocupe Wall Street para pedir que o direito dos manifestantes de protestar seja respeitado.

Proprietários de pequenos estabelecimentos na região do parque Zuccotti se queixaram do ruído e das condições sanitárias que reinavam no acampamento, acusando os manifestantes de destruir os banheiros de suas lojas e de afastar os clientes.

Na segunda-feira, alguns comerciantes realizaram seu próprio protesto contra os manifestantes.

Há um mês, um plano para desalojar temporariamente a praça, de propriedade privada, com o argumento de que precisava ser limpa, foi suspenso no último minuto, o que foi festejado pelos manifestantes como uma vitória.

Mas a ação realizada na madrugada desta terça-feira surpreendeu os integrantes do acampamento.

“Eu estava dormindo profundamente. Então demorei a perceber que de repente policiais andavam pelas barracas e as pessoas gritavam ‘Isto não é uma simulação!'”, contou Mutsukai Iroppoi, de 22 anos.

Outro manifestante, Alden Bevington, de 35 anos, disse que também foi surpreendido.

“Estava dormindo. De repente, as luzes se acenderam. (A operação) foi concebida para assustar as pessoas, uma esmagadora demonstração de força”, explicou.

A operação ocorreu menos de um dia depois da polícia desmantelar um protesto similar na Califórnia, com um saldo de mais de 30 detidos, como parte de uma linha mais dura das autoridades contra os manifestantes.

O movimento Ocupe Wall Street é integrado principalmente por jovens que se manifestam contra a cobiça do capitalismo e a especulação, ocupando praças de várias cidades do país, algo que, para algumas autoridades, constitui uma ameaça para a segurança pública.

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