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Polícia de BH prevê cenário de guerra na quarta-feira

Em coletiva neste domingo, as polícias Militar e Civil afirmaram que agirão de forma "enérgica" contra grupos de vândalos infiltrados nas manifestações

Por Da Redação 23 jun 2013, 19h53

As polícias Militar e Civil de Minas Gerais decretaram neste domingo tolerância zero para organizações que se infiltraram em grupos de manifestantes em Belo Horizonte para promover ações de vandalismo na cidade. Em coletiva de imprensa neste domingo, representantes dos órgãos de segurança pública do estado confirmaram a informação divulgada pelo site de VEJA de que há infiltrados envolvidos nas afrontas aos policiais militares. Segundo a polícia, eles incitaram os jovens da capital mineira nas depredações. A manifestação de sábado começou de forma pacífica na Praça Sete, no Centro, inclusive com a participação de idosos e famílias com crianças, mas terminou de forma violenta, com destruição em quase todos os trechos da Avenida Antônio Carlos e na área central. Militares dos batalhões especializados e da Força Nacional cercaram o centro de BH para evitar que os danos fossem maiores.

O comandante geral da PMMG, coronel Mário Sant’Anna, afirmou que foram detectados não só criminosos, mas também vândalos forasteiros, principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O oficial ainda afirmou que “dá como certo” um confronto ainda mais violento na manifestação prevista para quarta-feira, durante o jogo do Brasil no Mineirão, pela Copa das Confederações. “Percebemos a atuação de organizações criminosas extremistas e elas estão se movimentando para confrono e quebradeira”.

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Durante a passeata com mais de 70 mil pessoas, segundo número oficial (100 mil é a estimativa), até a Pampulha, a PM afirmou ter conseguido informações de que forasteiros tinham um único objetivo: quebrar toda a cidade. O chefe da Polícia Civil de Minas, delegado Cylton Brandão, informou, na coletiva, que haverá investigações rigorosas para identificar pessoas que promoveram depredação na cidade durante os protestos. “Não vamos tolerar essa violência e agiremos com rigor. Estamos analisando os registros feitos pelos policiais civis e militares para chegarmos aos responsáveis. Mais de 30 já foram identificados”, disse Brandão.

Tanto a PM quanto a Polícia Civil ressaltaram a necessidade de repensar uma melhor forma de atuação no retorno dos participantes à mobilização, principalmente por causa dos infiltrados – e pediram a colaboração das pessoas que só querem lutar para melhoria do país. Eles aconselharam que, no caso de percepção de arruaceiros em meio aos protestos, a indicação é se afastar. “Percebemos que sentar quando o grupos começam o tumultuo não está adiantando mais. O mais indicado agora é sair de perto e deixar os policiais agirem contra aqueles que só querem arrumar confusão”, explicou o coronel.

Segundo ele, na quarta-feira, durante o jogo do Brasil no Mineirão, o embate será inevitável. Já estão programadas manifestações para o dia, na partida semifinais da Copa das Confederações. As polícias Militar e Civil informaram que vão manter o esquema de segurança no perímetro do Mineirão na quarta-feira, e que a força mobilizada será ainda maior e enérgica, intolerante a qualquer ação violenta ou de afronta.

Destruição – Quem saiu às ruas de BH neste domingo viu o rastro de destruição deixado após o confronto na Avenida Antônio Carlos e em quase todos os quarteirões no cruzamento da Praça Sete. Radares de velocidade jogados no chão, frentes de estabelecimentos comerciais destruídos, muros e paredes pichados. Proprietários e funcionários contabilizavam o prejuízo. Os vândalos derrubaram boa parte da cerca de arame no entorno do Campus da Pampulha.

No balanço preliminar divulgado neste domingo pela PM, 32 pessoas foram presas entre a tarde de sábado e a madrugada do domingo. A maioria por danos ao patrimônio público.O número de feridos chega a 18, incluindo dez policiais. Mas os hospitais públicos (João XXIII e Odilon Behrens) confirmaram a entrada de 27 feridos relacionados ao protesto. A PM ainda informou que não medirá esforços para reprimir atos criminosos e prender os responsáveis. Por fim, destacou que tem a orientação do governo de assegurar que as manifestações populares transcorram de forma ordeira e pacífica.

O confronto em Belo Horizonte começou por volta das 16h, no cruzamento das avenidas Antônio Carlos e Abraão Caram, na região da Pampulha, próximo ao Mineirão. Manifestantes armados com pedras, bolas de sinuca e de gude, e pedaços de pau, enfrentaram a tropa de choque que montou um cordão de isolamento, com mais de 2.000 militares, impedindo o acesso ao estádio, onde ocorria a partida entre Japão e México. A PM reagiu a afronta, jogando spray de pimenta e bombas de efeito moral contra os mais exaltados.

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