Polícia Civil faz operação contra quadrilha que aplicava golpes em servidores do TCE-RJ
Criminosos se passavam por advogados, servidores ou representantes de órgãos governamentais e convenciam vítimas de que tinham valores elevados para receber
A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou nesta quarta-feira, 8, a primeira fase da Operação Acerto de Contas, contra um esquema de fraudes eletrônicas contra servidores ativos e aposentados do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ). A ação é realizada em São Paulo, onde são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão contra envolvidos. Três alvos foram conduzidos à delegacia em SP para prestar depoimento. Também foram confiscados celulares e computadores, que serão usados para aprofundar as diligências.
Segundo as investigações, os integrantes do grupo criminoso se passavam por advogados, servidores públicos ou representantes de órgãos governamentais e convenciam as vítimas de que tinham valores elevados para receber. As conversas aconteciam por telefone, aplicativos de mensagens e e-mails. Os golpistas alegavam às vítimas que supostos créditos judiciais, gratificações ou benefícios financeiros estavam disponíveis, mas exigiam pagamentos antecipados para liberar o valor sob justificativa de despesas processuais, como impostos e taxas.
As vítimas, então, eram orientadas a realizar transferências — na maioria das vezes, via Pix — para contas ligadas aos criminosos. Após o primeiro pagamento, eles faziam novas cobranças com diferentes justificativas, aumentando o prejuízo. Para despistar a polícia, os investigados usavam linhas telefônicas e endereços eletrônicos criados exclusivamente para o golpe. Várias das contas eram descartáveis e sem qualquer vínculo legítimo de identificação, revelou uma análise da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI).
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“Com base no conjunto de provas reunido, a DRCI representou judicialmente pelo cumprimento de mandados de busca e apreensão e pelo bloqueio de ativos financeiros ligados ao grupo criminoso”, informou a Polícia Civil em nota. “A ação desta quarta-feira teve como objetivo aprofundar a identificação de todos os integrantes da organização criminosa, rastrear o fluxo financeiro dos valores obtidos mediante fraude e reunir novos elementos probatórios para a completa responsabilização dos envolvidos.”
Em nota, a OAB-RJ ressaltou “a importância das investigações para coibir fraudes do tipo, como o golpe do falso advogado”. De 2025 a 9 de junho, a entidade já recebeu 1.976 denúncias sobre esse tipo de crime.
“Infelizmente, essa prática se espalhou por todo o Brasil, com métodos cada vez mais sofisticados e até uso de IA. É preciso que os responsáveis sejam identificados e punidos. As pessoas devem desconfiar sempre de pedidos de recursos para liberação de valores, de pedidos de transferências por pix e devem procurar sempre o próprio advogado para confirmar a veracidade das informações”, recomendou a presidente da OAB-RJ, Ana Tereza Basilio.







