Polícia Civil de Pernambuco pede para CNJ investigar juiz que falou em ‘operação clandestina’
Magistrado afirmou que policiais tentaram 'destruir provas' e 'obstruir' investigação federal
O delegado-geral da Polícia Civil de Pernambuco, Felipe Monteiro Costa, solicitou ao CNJ e à corregedoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco a investigação do juiz Rildo Vieira da Silva.
O pedido é motivado por termos empregados em uma decisão do magistrado. Silva afirmou que medidas solicitadas pela polícia tinham o objetivo de “legalizar” uma “operação clandestina”, “destruir provas” e “obstruir” investigação federal.
As declarações do magistrado foram feitas ao analisar pedido de medidas cautelares contra um policial suspeito de vazar informações sigilosas. O caso está relacionado à “Nova Missão”, como foi chamada uma apuração contra funcionários da prefeitura de Recife. A apuração foi interrompida por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF.
O pedido da Polícia Civil ao CNJ e ao TJPE ocorre em meio à disputa eleitoral acirrada entre a atual governadora, Raquel Lyra (PSD), e o ex-prefeito de Recife João Campos (PSB).
Rildo Vieira da Silva também foi o responsável por anular investigação sobre possíveis fraudes em contratos na prefeitura de Recife, na chamada Operação Barriga de Aluguel.
Pouco mais de um mês depois dessa decisão, seu filho foi nomeado por João Campos para o cargo de procurador do município. A nomeação causou polêmica porque Lucas Vieira Silva havia concorrido nas vagas de ampla concorrência e, dois anos depois do concurso, apresentou diagnóstico de autismo e conseguiu entrar na vaga para pessoas com deficiência. João Campos anulou a escolha depois da repercussão negativa.
No dia 14, o então corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, determinou que o TJPE apure a conduta de Rildo Vieira da Silva nesse caso. A decisão atendeu a um pedido do candidato a deputado estadual Manoel Medeiros (Novo), que apontou que a anulação foi decidida poucas horas após o magistrado assumir o processo e que citou o possível conflito de interesses com a nomeação posterior do filho.
Agora, o delegado-geral da Polícia Civil solicitou que seja analisado se o novo pedido deve ser incluído na investigação já em andamento.







