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Polícia Civil busca suspeito de estupro em UTI de hospital

Crime revelado com exclusividade pelo site de VEJA teria ocorrido há cinco meses. MP encaminhou o caso à delegacia, que ainda não ouviu nem a vítima

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro - 29 out 2013, 15h44

(Atualizado às 19h)

A Polícia Civil do Rio de Janeiro está à procura do técnico de enfermagem suspeito de estuprar uma paciente dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal Pedro II. O caso, revelado com exclusividade pelo site de VEJA na segunda-feira, foi descoberto pelo Ministério Público em maio passado, após vistoria na casa de saúde – que encontrou a jovem de 21 anos internada no setor errado com complicações após uma cesariana e suplicando para ser transferida. Mas cinco meses após o ocorrido, as investigações andam em ritmo lento.

Por meio de nota, o delegado Geraldo Assed, titular da 36ª DP (Santa Cruz), diz que instaurou inquérito e está “realizando diligências com o objetivo de identificar o suspeito”. Vale lembrar que a administradora do hospital, a Biotech Humana Organização Social de Saúde, disse que o acusado foi afastado de suas funções – ou seja, já se sabe de quem se trata. Ainda de acordo com Assed, a vítima, o companheiro dela e a sogra foram ouvidos nesta terça-feira. O conteúdo dos depoimentos não foi revelado, segundo ele para não atrapalhar as investigações. Funcionários e diretores do hospital também serão convocados a prestar esclarecimentos.

A suspeita do estupro foi comunicada pelo MP à direção do centro de saúde, que se limitou a instaurar sindicância interna e não comunicou a polícia. A Secretaria Municipal de Saúde informou que exigiu explicações do hospital por também não ter sido notificada, pediu rapidez no processo administrativo e colaboração com as investigações. Em nota, a responsável pelo Pedro II diz que não encontrou “indícios de culpabilidade” e que ainda aguarda o depoimento final do acusado. Foi a Promotoria Criminal de Santa Cruz quem se encarregou de levar o caso à Polícia Civil, e deve cobrar explicações ainda nesta semana. O delegado afirma que só recebeu o ofício do Ministério Público no mês passado.

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A descoberta – No dia 9 de maio deste ano, o Grupo de Atuação Integrada da Saúde, composto por médicos e promotores, estranhou ao encontrar uma jovem de 21 anos internada na chamada Sala Vermelha – local da emergência, onde devem ser feitos apenas os primeiros atendimentos de pacientes graves. A paciente apresentava quadro de miocardite (inflamação no músculo cardíaco) e deveria estar na UTI. Ao saber que ela seria transferida, uma acompanhante contou à equipe que ela teria sofrido abusos sexuais dias antes naquele setor. Ela foi encaminhada, então, a outro hospital municipal.

O Pedro II é referência para moradores dos bairros de Santa Cruz, Paciência e Sepetiba, que juntos somam 368.000 habitantes, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Destruído durante um incêndio em novembro de 2010, o hospital foi reconstruído e equipado com aparelhos de última geração – o orçamento inicial era de 80,6 milhões de reais. Teve a gestão terceirizada em janeiro de 2012 para a Biotech Humana Organização Social de Saúde, que receberá 275 milhões de reais por dois anos de atuação.

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