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‘Poderia ter sido antes’, diz Doria sobre transferência de Marcola

Demora ocorreu pelo receio do governo estadual de que medida pudesse desencadear série de atentados ordenada por facção criminosa

O governador de São Paulo, João Doria, afirmou nesta quarta que o plano para transferir Marcos Williams Herbas Camacho, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), e os outros 21 presos ligados à facção foi “minuciosamente” planejado há 51 dias e poderia ter acontecido antes.

“Foi uma operação delicadíssima e executada com alta eficiência. Os custodiados estão sob os cuidados do governo federal agora”, disse o governador, que citou nominalmente Marcola como o chefe da facção. Trata-se claramente de uma mudança de postura no governo de São Paulo, que na gestão de Geraldo Alckmin sempre procurou minimizar a força do PCC e evitar falar de Marcola.

A transferência do maior líder do PCC é um pleito antigo da Polícia Civil e do Ministério Público. Mas o governo Alckmin sempre rechaçou a medida, alegando que os presídios paulistas eram seguros o suficiente para manter os bandidos. Nos bastidores, no entanto, havia o temor de uma reação violenta da facção como a ocorrida em 2006.

O pedido pela transferência ganhou força no fim do ano passado com a descoberta de um plano ousado para resgatar Marcola, que envolvia contratação de mercenários e armas com poder de fogo para derrubar helicópteros. O ex-governador Márcio França (PSB), no entanto, decidiu deixar o assunto espinhoso para Doria, seu rival nas eleições.

O secretário de Segurança Pública, coronel João Campos, destacou que a operação de hoje foi “foi absolutamente perfeita. Todos os detalhes. A aeronave tocou o solo e saiu no horário previsto”, disse o secretário, frisando que foram tomadas diversas medidas por uma força-tarefa constituída pelas Polícias Estadual e Federal, Exército, Aeronáutica e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Além de Marcola, também foram transferido Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, o “Marcolinha”, irmão do líder da facção. Os outros 20 presos transferidos nesta quarta são: Lourinaldo Gomes Flor, o “Lori”; Pedro Luís da Silva, o “Chacal”; Alessandro Garcia de Jesus Rosa, o “Pulft”; Fernando Gonçalves dos Santos, o “Colorido”; Patric Velinton Salomão, o “Forjado”; Lucival de Jesus Feitosa, o “Val do Bristol”; Cláudio Barbará da Silva, o “Barbará”; Reginaldo do Nascimento, o “Jatobá”; Almir Rodrigues Ferreira, o “Nenê de Simone”; Rogério Araújo Taschini, o “Taschini” ou “Rogerinho”; Daniel Vinicius Canônico, o “Cego”; Márcio Luciano Neve Soares, o “Pezão”; Márcio Luciano Neve Soares, o “Pezão”; Alexandre Cardozo da Silva, o “Bradok”; Júlio Cesar Guedes de Morais, o “Julinho Carambola”; Luís Eduardo Marcondes Machado de Barros, o “Du da Bela Vista”; Célio Marcelo da Silva, o “Bin Laden”; Cristiano Dias Gangi, o “Crisão”; José de Arimatéia Pereira Faria de Carvalho, o “Pequeno”; Reinaldo Teixeira dos Santos, o “Funchal”; e Antônio Jose Muller Junior, o “Granada”.

Marcola foi transferido na manhã desta quarta-feira, 13, o presídio de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, para uma penitenciária federal. Há cinco no país – em Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN), Porto Velho (RO) e Brasília (DF).

O local para onde ele foi levado não foi informado, mas as cadeias do Mato Grosso do Sul e do Paraná foram descartadas pela proximidade com o Paraguai, onde a facção criminosa tem forte presença.

Além de Marcola, outros 21 presos ligados à facção estão sendo encaminhados para presídios geridos pelo governo federal que não sofrem com problemas de superlotação e tem uma rotina rígida, com horário limitado para banhos de sol e proibição de visitas íntimas.

A transferência foi determinada pelo juiz da 5ª Vara de Execuções Criminais de São Paulo, Paulo Sorci, que atendeu a um pedido do promotor de Presidente Prudente Lincoln Gakiya. O prazo de permanência foi definido em um ano, que pode ser renovável. Desde o ano passado, o juiz já vinha ordenando a transferência de líderes do PCC para presídios federais pela suspeita de que eles continuavam comandando o crime, mesmo estando atrás das grades.

A demora em relação a Marcola ocorreu pelo receio do governo estadual de que a medida pudesse desencadear represálias como as de 2006, nas quais a facção ordenou uma série de atentados a policiais e agentes penitenciários como reação à transferência de mais de 700 presos para Presidente Venceslau.