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PMs são indiciados por morte de servente

Os cinco policiais registraram caso como uma resistência seguida de morte, mas vídeo gravado por testemunha mostrou a vítima sendo rendida com vida

Cinco policiais militares que participaram da ação que terminou com a morte do servente Paulo Batista do Nascimento, de 25 anos, no sábado, no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo, foram indiciados na terça-feira por envolvimento no homicídio. Desde a segunda-feira, pelo menos sete PMs já prestaram depoimento no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

Os policiais registraram o caso como uma resistência seguida de morte (quando o suspeito reage à prisão), mas uma testemunha filmou um dos PMs atirando em Nascimento quando ele já estava detido sob suspeita de ter participado de um confronto com a guarnição do 37º BPM. A testemunha foi ouvida na terça-feira pela polícia.

Segundo o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, será pedida a prisão preventiva dos policiais envolvidos no caso, que já estavam detidos desde o domingo. “Tudo o que está sendo registrado no inquérito, como as provas, vai culminar com o pedido de prisão preventiva. Não tenho dúvida disso.”

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Carrasco disse também que, caso seja comprovado que os PMs mentiram em seus depoimentos, eles poderão responder criminalmente. “A presunção da verdade pelo funcionário público é prioritária no DHPP. Se no fim da apuração a versão deles for mentirosa, então obviamente responderão por isso. Não estamos aqui para passar a mão na cabeça de ninguém.”

Histórico – Três dos homens detidos pela Corregedoria da PM no domingo pela execução do servente já se envolveram em ocorrências que terminaram com a morte de suspeitos. Os casos, porém, foram arquivados pela Justiça. O soldado Diógenes Marcelino de Melo se envolveu em dois casos de resistência seguida de morte. O primeiro em 1997 e, o segundo, em 17 de março de 2002 – o último virou um processo que chegou à 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. O soldado Marcelo de Oliveira Silva participou de um suposto confronto que terminou com a morte do suspeito em 18 de março de 2010. O caso foi analisado pela 3ª Vara do Tribunal do Júri.

Em 26 de julho de 2009, o soldado Jailson Pimentel de Almeida também se envolveu em ocorrência que se transformou em processo na 3ª Vara do Tribunal do Júri. Além dos três, a PM anunciou a prisão do tenente Halstons Kay Tin Chen e do soldado Francisco Anderson Henrique.

Risco – Questionada sobre se a família que mora na casa de onde foi feita a filmagem receberá algum tipo de apoio, a PM disse que conta com um programa de proteção à testemunha. “Em virtude de envolver a segurança e a integridade física dessas pessoas, não podemos passar mais informações sobre os procedimentos realizados nesse tipo de serviço. Essa proteção engloba familiares desse tipo de testemunha.”

(Com Estadão Conteúdo)