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‘PM ria durante execução’, diz testemunha sobre crime em telhado

Depoimento é a principal prova da Corregedoria da PM sobre envolvimento de policiais na morte de Paulo Henrique Oliveira, que estava do lado de fora da casa onde o amigo foi baleado

Enquanto um policial militar apertava o gatilho, a soldado Mariane de Moraes Silva Figueiredo dava risadas. É o que revela o depoimento de uma testemunha que presenciou quando dez PMs executaram Paulo Henrique de Oliveira, que estava rendido e desarmado, no último dia 7, no Butantã, Zona Oeste da capital paulista. Essa é umas das principais provas da Corregedoria da Polícia Militar para afirmar que Oliveira e seu amigo, Fernando Henrique da Silva, foram assassinados por policiais.

Segundo as investigações, os dois suspeitos estavam em uma moto roubada e tentavam levar outra quando foram localizados e perseguidos por PMs. Depois de dominados, foram executados. Onze agentes estão presos por determinação das Justiças comum e militar.

Nas imagens gravadas por câmeras de segurança, o rapaz sai de trás de uma lixeira, se rende e é algemado. Depois, é levado para trás de um muro, tem as algemas retiradas e é executado. Em seguida, um agente coloca uma arma ao lado da vítima. A testemunha, que mora em frente ao local onde ocorreram os disparos, afirmou que estava no quintal de sua casa quando viu o suspeito se render e o policial ordenar que ele deitasse no chão. Segundo ela, Oliveira foi algemado e levado para trás do muro, onde os agentes perguntaram se ele possuía uma arma – o suspeito teria negado.

Ainda de acordo com a testemunha, os PMs tiraram as algemas do suspeito, que gritava “que iria ser morto”. Um agente atirou no chão e, em seguida, no rapaz, que estava sentado na calçada. “O disparo foi efetuado a uma distância de aproximadamente meio metro”, disse.

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Provas – O depoimento ajudou a Corregedoria a pedir a prisão dos policiais. Pela morte de Oliveira estão presos os soldados Tyson Oliveira Bastiane, Silvano Clayton dos Reis, Silvio André Conceição, Mariane de Morais Silva Figueiredo e Jackson da Silva. Segundo a Corregedoria, Bastiane atirou na vítima, Reis colocou a arma – uma pistola calibre 380 – na cena do crime e Mariane deu cobertura para a ação. Durante o reconhecimento da policial na Corregedoria, a testemunha contou que a soldado “dava risadas a todo momento” durante o crime. Os demais PMs foram coniventes com a situação, segundo o IPM.

A outra vítima – Fernando Henrique da Silva – se escondeu em uma casa e foi dominado no telhado. Uma gravação feita por celular mostra que ele foi empurrado por um PM de uma altura de quase dez metros. Depois, dois disparos foram feitos. Um relatório no IPM mostra que o rapaz caiu de joelhos e tinha duas perfurações na altura da barriga. Além disso, ele teve o dedo de uma das mãos dilacerado por um tiro o que, segundo as investigações, indica que ele teria tentado se defender.

Pela morte de Silva, estão presos o tenente Angelo Felipe Mancini, o cabo João Maria Bento Xavier e os soldados Paulo Eduardo Almeida Hespanhol, Flavio Lapiana de Lima, Fabio Gambale da Silva e Samuel Paes. Segundo o promotor Rogério Zagallo, a investigação tem provas técnicas e testemunhais de que os onze PMs participaram da execução dos dois rapazes.

Comando – Na quinta-feira, o comandante-geral da PM, coronel Ricardo Gambaroni, postou um vídeo para a tropa. Ele diz aos policiais que não serão toleradas violações aos direitos humanos nas ocorrências. “O nosso maior direito é o direito à vida, e o nosso maior dever é preservá-la. Não cabe a nenhum de nós, enquanto profissionais de polícia, decidir sobre a vida do infrator por maior que tenha sido o crime cometido”, afirmou.

(Com Estadão Conteúdo)