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PM que deteve pedreiro Amarildo já havia sido denunciado por agressão

Dois moradores da favela acusaram policial, segundo jornal 'O Globo'

O policial militar Douglas Roberto Vital Machado – que levou Amarildo de Souza até a UPP da Rocinha no dia 14 de julho, quando o pedreiro foi visto pela última vez – , já havia sido acusado de agredir e ameaçar ao menos dois moradores da favela, além de forjar provas contra eles, revelou reportagem do jornal O Globo publicada neste sábado.

As denúncias foram feitas três meses antes ao desaparecimento de Amarildo. Luiz Gustavo de Souza Silva e um adolescente de 16 anos, que é primo do pedreiro, afirmaram ter sido espancados e sufocados com sacos de plástico pelo mesmo grupo que levou Amarildo à sede da UPP. Em depoimento no dia 5 de abril, Lea, mãe de Silva, contou que o PM Douglas Machado teria dito a ela que o filho “deu sorte por ter sido abordado de dia; se fosse à noite, o tratamento seria diferente”.

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Ao programa RJTV, da Rede Globo, a Coordenadoria das Unidades de Polícia Pacificadora informou que o comandante da UPP da Rocinha, major Edson Santos, confirmou que Machado foi alvo de reclamações feitas por moradores na favela e que, por isso, o PM foi trocado de posto. Santos afirmou, porém, que não conhecia o episódio envolvendo Silva e o adolescente espancados.

Protestos – O desaparecimento de Amarildo tem motivado protestos no Rio. O grito “Cadê Amarildo?”, porém, já é repetido em manifestações em outras cidades. A Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil trabalha com dois caminhos para a investigação: Amarildo teria sido assassinado por PMs ou por traficantes. Uma gravação em poder da Polícia Civil mostra um diálogo em que um traficante diz que teria matado um homem chamado de “Boi” – um dos apelidos de Amarildo na favela. O bandido – cujo nome verdadeiro é desconhecido – teria como objetivo incriminar um policial militar.