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PM mantém cerco à Rocinha após prisão do traficante Nem

Bandido que controlava a favela com crueldade e desafiava o estado foi preso quando tentava fugir, escondido no porta-malas do carro de um dos advogados

Por Da Redação 10 nov 2011, 07h43

Depois de anos no comando do tráfico da maior favela da zona sul do Rio, onde impunha suas próprias leis e torturava inimigos, Nem foi capturado como um rato, escondido no porta-malas

A comunidade da Rocinha, na zona sul do Rio de Janeiro, continuava cercada por policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira, após a prisão de mais de dez criminosos – entre eles, Antonio Francisco Bonfim Lopes, o “Nem”, de 35 anos, chefe do tráfico da favela. Os policiais dão continuidade à operação iniciada ontem para prender comparsas de Nem e outros traficantes da comunidade que tentarem fugir antes da ocupação para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Todos os 13 bandidos presos entre quarta e quinta – incluindo Nem – permanecem na carceragem da Superintendência da Polícia Federal do Rio e podem ser transferidos para um presídio ainda hoje. Informações ainda não confirmadas dão conta de que o traficante Nem seria levado para o Complexo Penitenciário de Bangu.

A captura – O Nem da Rocinha foi preso no início da madrugada desta quinta-feira. Depois de anos no comando do tráfico da maior favela da zona sul do Rio, onde impunha suas próprias leis, corrompia policiais, torturava e assassinava inimigos, o criminoso foi capturado como um rato, escondido no porta-malas do carro de um de seus advogados, na Lagoa, por onde tentava fugir. O bandido foi levado para a sede da Polícia Federal (PF), na zona portuária do Rio.

A prisão foi feira por policiais militares do Batalhão de Choque (BPchoque), e teve momentos de sorte – desta vez, para os policiais. Os PMs abordaram na Gávea, bairro próximo à Rocinha, um Toyota Corolla preto, que consideraram suspeito. Apesar da ordem dos policiais, o motorista, advogado de Nem, recusou-se a abrir o porta-malas para que o veículo fosse revistado. Ele alegava ser “cônsul”, e dizia que só permitiria a vistoria no veículo em uma delegacia.

Os policiais, então, escoltaram o Corolla. No caminho para a delegacia, o motorista afirmou aos policiais que tinha, em mãos, 30 mil reais para oferecer aos policiais, para que eles não abrissem o porta-malas. Os PMs insistiram e encontraram, no compartimento de bagagens, o bandido mais procurado o Rio.

Nem estava muito diferente da foto mais conhecida dele, que por anos foi utilizada pela polícia em cartazes que ofereciam recompensa por informações que levassem ao bandido.

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A prisão de Nem põe fim a uma era marcada pelo poder paralelo na Rocinha. E ocorre às vésperas de uma grande operação policial que pretende ocupar a Rocinha para criar, na última favela da zona sul ainda controlada pelo tráfico de drogas, uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

Vitória de Beltrame – A prisão de Nem dá nova força à política de segurança do governador Sérgio Cabral. E, especialmente, fortalece o secretário de segurança José Mariano Beltrame, que idealizou as UPPs e avisava que nem o Alemão nem a Rocinha resistiriam quando chegasse a hora da ocupação. As UPPs, recentemente, passaram por abalos. O maior deles foi a prisão de um comandante e seus subordinados, na unidade do Fallet-Fogueteiro, na região central do Rio, acusados de receber uma mesada de traficantes da área.

Nem tentou, até o último minuto, recorrer ao mecanismo que o manteve no topo da estrutura da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA): a corrupção policial. Certamente para escapar da Rocinha, e para circular livremente pela zona sul, como fez tantas vezes, ele se valeu do pagamento de propina aos policiais. Na madrugada desta quarta-feira, no entanto, o desfecho foi diferente.

Horas antes, no fim da tarde de quarta-feira, ficou provado o que era uma espécie de lenda do Rio de Janeiro, mas que existia apenas na convicção das autoridades de segurança e nas conversas de pessoas próximas da Rocinha: Nem tinha, a seu serviço, policiais militares e civis. Uma equipe da Polícia Federal prendeu quatro policiais e um ex-PM que escoltavam cinco traficantes em fuga da favela da Rocinha. Entre os bandidos presos, estava Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, chefe do tráfico no morro de São Carlos, e Sandro Luiz de Paula Amorim, conhecido como Peixe. Todos são comparsas de Nem, e tentavam escapar em um ‘bonde’, um comboio de quatro carros com armas.

A secretaria de Segurança confirmou, em nota, que informações recolhidas ao longo do dia pela área de inteligência sugeriam o envolvimento de policiais civis e militares num plano de fuga dos bandidos da Rocinha. Através do Disque-Denúncia, informações do mesmo teor chegaram à corregedoria da Polícia Civil.

Os demais presos na operação são: Paulo Roberto Lima da Luz, conhecido como “Paulinho”; Varquia Garcia dos Santos, conhecido como “Carré”; Sandro Oliveira; Carlos Daniel Ferreira Dias, policial civil lotado na secretaria de Saúde Pública; Carlos Renato Rodrigues Tenório e Wagner de Souza Neves, policiais civis lotados na Delegacia de Roubo e Furtos de Cargas (DRFC); José Faustino Silva, PM reformado; e Flávio Melo dos Santos, ex-PM.

(Com Agência Estado)

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