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PM do Rio culpa protestos por aumento da criminalidade

Corporação afirma que o patrulhamento ostensivo foi prejudicado porque agentes precisaram ser deslocados para atuar em manifestações na capital

Por Pollyane Lima e Silva e Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro - 31 out 2013, 19h39

O crescimento dos números da criminalidade no Rio de Janeiro tem um culpado, na opinião da Polícia Militar (PM): os protestos que tomam as ruas da capital desde junho. “O número de crimes subiu em áreas onde PMs passaram a ser deslocados para atuar em manifestações que terminaram em violência. O patrulhamento ostensivo acabou sendo prejudicado”, informou a corporação, por meio de nota.

A declaração foi divulgada após levantamento do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostrar aumento de quase 40% nos homicídios dolosos (com intenção) no Estado. O índice é referente a agosto, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Outros crimes também registraram aumento, como o latrocínio (roubo com morte), que cresceu 54%, e os roubos a veículos (44%), a estabelecimentos comerciais (44%), dentro de ônibus (82,3%), a residência (26%) e de celular (44%).

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A PM destaca, porém, que as apreensões de armas cresceram no Rio, de janeiro a setembro de 2013, segundo levantamento interno. O recolhimento de pistolas foi 23% maior, e o de fuzis, 11,38%, ante o mesmo período de 2012. O número de presos também teve acréscimo de 26%, completa a corporação, acrescentando que mais 689 policiais devem ser formados ainda este ano.

Novo ato – Se a culpa está mesmo nas ruas, como diz a PM, a paz parece cada vez mais distante. Um novo protesto organizado nesta quinta-feira, no Centro da capital, reuniu centenas de pessoas e motivou novo reforço no policiamento. Por toda a Avenida Rio Branco e também em algumas vias transversais, via-se um número de PMs equivalente ao de manifestantes.

A concentração de agentes era maior no entorno de prédios públicos, que geralmente são alvos de depredação, como a Câmara de Vereadores e a Assembleia Legislativa (Alerj). À frente do grupo que protestava, uma fila de mascarados caminhava de braços dados e gritando palavras de ordem. Eles são os principais responsáveis pelos confrontos violentos com a polícia. Até as 20h30, não houve grande confusão.

Enquanto a passeata ocorria, uma criança foi morta em um tiroteio no fórum de Bangu, Zona Oeste da capital. Criminosos fortemente armados invadiram o local para tentar resgatar presos que prestavam depoimento – não conseguiram. Pelo menos outras três pessoas ficaram feridas. Este é um dos cinco crimes que chocaram a população carioca nos últimos sete dias.

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