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Pitbull sem focinheira ataca garoto de 11 anos em parque de SP

Vítima teve ferimento superficial e dono do cachorro fugiu sem prestar socorro. Mãe do garoto mordido vai prestar queixa na polícia: 'Fiquei desesperada'

Por Fernanda Bassette - Atualizado em 21 Jul 2017, 22h36 - Publicado em 21 Jul 2017, 22h33

Um cachorro da raça pitbull atacou e mordeu no peito uma criança de 11 anos na tarde de quinta-feira no Parque Buenos Aires, um parque público no bairro de Higienópolis, região nobre de São Paulo. O animal estava sem a focinheira – acessório de uso obrigatório para a raça em locais públicos desde 2003 – e o dono fugiu do local sem prestar socorro. O garoto teve um ferimento superficial.

A produtora Nina Braga Nunes, de 43 anos, mãe do menino atacado, afirmou que fará um boletim de ocorrência neste sábado. Nina é filha da atriz Regina Braga e irmã do ator Gabriel Braga Nunes.

Segundo Nina, o ataque aconteceu por volta das 16h, momento em que o parque estava lotado de crianças brincando por causa do período de férias escolares. Como de costume, ela estava no parque com os filhos Tomás e Gabriela, além de uma amiga das crianças, chamada Natália. Eles estavam sentados na área onde ficam os aparelhos de ginástica quando o cachorro avançou para cima de Tomás e o mordeu no peito.

Nina diz que o filho conseguiu se desvencilhar do animal e o empurrou antes que a mordida ficasse mais profunda. “Fiquei desesperada para socorrê-lo e quando olhei para o cachorro vi que era um pitbull e que estava sem a focinheira”, conta. De acordo com a produtora, o dono do animal o recolheu e apenas pediu desculpas, sem ajudar no socorro do garoto. “O que mais me impressionou foi que o parque estava lotado e ninguém ajudou uma mulher que estava com três crianças. O dono do cão foi embora e ninguém fez uma foto.”

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Assustada, Nina pediu ajuda para um segurança do parque, que sugeriu chamar uma ambulância do Samu para socorrer a criança. Ela recusou, pois o serviço poderia demorar tempo demais e o hospital em que ela levaria o filho fica na mesma avenida do parque.

Tomás foi levado para o Hospital Infantil Sabará, onde limpou e esterilizou o ferimento e foi orientado a tomar as vacinas preventivas contra raiva e tétano, além de um soro com imunoglobulina. Na manhã desta sexta, Nina levou o filho para uma consulta com a pediatra de confiança, que confirmou a necessidade das vacinas por não saber a origem do animal e se ele era de fato vacinado. “Ele está todo dolorido. A região do peito está roxa e há dois furos dos dentes, mas são superficiais, não ficaram profundos. Só hoje ele tomou quatro picadas de vacinas. E ainda terão outras três doses da antirrábica”, disse Nina.

A produtora afirmou que pretende voltar ao parque para saber se existem câmeras de segurança que possam ajudar a identificar o dono do animal. Ela também vai pedir ajuda aos prédios no entorno.

Apesar do ataque, Nina não deixará de frequentar o lugar. “Moro vizinha do parque e não vou deixar de ir ao local por causa disso, mas vou fazer barulho. Não podemos ficar com essa sensação de insegurança. Quem está errado é quem anda com o animal sem o acessório obrigatório de segurança. Se fosse uma criança menor, poderia ter sido uma tragédia.”

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Focinheira é obrigatória

A Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) da cidade de São Paulo informou, por meio da assessoria de imprensa, que além da lei estadual de 2003, existe uma portaria municipal de 2005 que também exige a obrigatoriedade do uso de focinheira em locais públicos para cães das raças mastim napolitano, pitbull, rottweiller e american stafforshire terrier. Os animais também precisam estar com coleira, guia curta de condução e enforcador.

Segundo a pasta, a fiscalização é feita pela equipe de seguranças do local, que quando flagra alguma situação irregular orienta o dono sobre a correta condução dos animais. A secretaria diz ainda que conta com “a civilidade dos visitantes do parque, pois há placas indicativas”. Se as regras não são acatadas, a Guarda Municipal Metropolitana é acionada para tomar as devidas providências. A secretaria não soube informar, no entanto, quantas vezes isso já aconteceu e diz que não há registros de acidentes graves envolvendo animais recentemente.

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