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Pimentel teria recebido por palestra não ministrada

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte – A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) manteve silêncio hoje sobre a denúncia de que o ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) não deu as palestras pelas quais recebeu R$ 1 milhão da entidade. O pagamento foi feito à empresa P-21 Consultorias e Projetos Ltda que o ministro manteve em 2009 e 2010, após ele deixar a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e antes de assumir o cargo no governo federal.

Segundo o jornal O Globo, as regionais da Fiemg negaram que Pimentel tivesse dado as palestras. Em entrevista no início da tarde, o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, afirmou que não estava a par do assunto. Ele disse que procuraria se inteirar sobre a questão e que a entidade deveria soltar uma nota sobre o caso durante a tarde.

No início da noite, a entidade soltou nota alegando que, sobre o assunto, “não temos mais informações a prestar”. “Também não temos quaisquer outras declarações a fazer, uma vez que consideramos que todas as informações já foram devidamente prestadas”, diz a nota de duas linhas.

A ligação de Pimentel com a Fiemg é antiga e remonta ao tempo em que o petista comandava a Prefeitura de Belo Horizonte. Depois de deixar o cargo, Pimentel recebeu, por meio da empresa P-21 Consultorias e Projetos Ltda, R$ 1 milhão da entidade pela prestação de serviços.

No entanto, em 2006 o Executivo municipal comandado pelo petista já havia contratado sem licitação a Camter Construções e Empreendimentos S.A., presidida por Luiz Augusto de Barros. Barros foi vice-presidente e presidente do Conselho de Assuntos Legislativos da Fiemg durante a gestão de Robson Andrade, o mesmo que pagou pela consultoria de Pimentel.

A contratação da Camter ocorreu com dispensa de licitação, conforme o processo número 01.077158.0654, publicado no Diário Oficial do Município de 30 de junho de 2006. A autorização de dispensa de licitação foi assinada pelo então secretário municipal de Políticas Urbanas, Murilo Valadares, braço direito de Pimentel e um dos frequentadores do escritório da P-21 durante a campanha do petista ao Senado, no ano passado.

Valadares atualmente é secretário de Obras e Infraestrutura de Belo Horizonte, comandada por Marcio Lacerda (PSB), afilhado político e sucessor de Pimentel no cargo.

Segundo o processo, a Camter foi contratada por R$ 21,6 milhões para realizar obras de revitalização do Anel Rodoviário. Outro lote de obras ficou a cargo da Egesa Engenharia S.A., contratada por R$ 50,6 milhões no mesmo processo.

O Diário Oficial cita que as empresas foram escolhidas “em função de sua notória qualificação técnica comprovada em obras semelhantes” e que, entre as empresas convidadas para os trabalhos, foram as “únicas que se manifestaram aptas ao início dos trabalhos no prazo necessário”. De acordo com a assessoria da Secretaria Municipal de Obras, foram convidadas quatro empresas para as obras, mas a Camter e a Egesa foram escolhidas porque apresentaram os preços mais baixos, além da capacidade de mobilização.

A Secretaria afirmou também que os contratos passaram por “todos os processos de fiscalização e auditagem” e foram aprovados. Atualmente, Luiz Augusto de Barros não tem mais ligação com a Camter, mas ainda faz parte da direção da Fiemg. Ele ocupa também o cargo de diretor de Obras da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig) do governo estadual. A reportagem tentou falar com ele no órgão, mas, até o início da noite de hoje, não houve retorno.