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Pimenta Neves teve crise hipertensiva controlada no presídio

Mesmo reclamando da falta de banho quente, jornalista considerou mais digno o tratamento em Tremembé

Abatido pela falta de sono, o jornalista Antonio Marcos Pimenta Neves, de 74 anos, sofreu uma crise hipertensiva no final da tarde de quinta-feira, logo após dar entrada como condenado no Presídio de Tremembé, na região do Vale do Paraíba, em São Paulo. A crise, supostamente causada pelo estresse, foi controlada com medicamentos ministrados por uma médica que atende dentro da prisão. Horas antes, Pimenta Neves havia passado por um exame de corpo de delito, que nada acusou, em uma unidade do Instituto Médico Legal (IML). Apesar do problema, a primeira noite como condenado foi considerada melhor que a anterior, entre a terça e a quarta-feira, passada em uma cela no 2º Distrito Policial, no bairro Bom Retiro, em São Paulo. Além de pressão alta, Pimenta Neves tem problemas de próstata.

O episódio foi relatado pelo condenado à sua advogada, Maria José da Costa Ferreira, que esteve com o cliente na manhã desta quinta-feira. “Ele está em condições bem melhores agora do que diante daquele quadro trágico na delegacia”, disse, referindo-se à cela exígua do distrito policial. De banho tomado e barba feita, Pimenta Neves não passou a primeira noite de sua pena em isolamento, como é de costume. Ele foi acomodado em uma cela de dezesseis metros quadrados junto com outros quatros presidiários.

A advogada disse que Pimenta Neves foi bem tratado por funcionários e presos desde a chegada, apesar de ter reclamado da falta de banho quente, que só é permitido aos condenados em tratamento médico. “Ele nunca tomou banho frio na vida”, comentou a advogada, que pretende requisitar uma permissão para tal. “Há uma burocracia para vencer, mas acho que conseguirei”, disse.

Jornalista, Antônio Marcos Pimenta Neves foi condenado a 15 anos de prisão pelo assassinato de sua ex-namorada, a também jornalista Sandra Gomide. O crime ocorreu em agosto de 2000, em um haras no município de Ibiúna. Sandra, na época com 32 anos, foi baleada nas costas quando tentava fugir de seu ex-namorado, então com 63 anos. O caso se arrastou por onze anos até todos os recursos judiciais terem se esgotado. Por ter passado sete meses preso em 2009, ao completar 23 meses em regime fechado ele poderá requerer progressão para o regime semi-aberto. O benefício é possível após o cumprimento de um sexto da pena.

Pimenta Neves está no pavilhão 2 da penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, a PII Tremembé, que abriga detentos que não podem conviver em segurança com o restante da população carcerária. São autores de crimes de grande repercussão e ex-autoridades que tenham agido em nome da lei. No pavilhão 2 ficam os condenados com nível superior. Pimenta Neves está sob o mesmo teto que o ex-promotor Igor Ferreira da Silva – que em 1998 assassinou sua mulher grávida – e Alexandre Nardoni – que matou sua filha Isabella, em 2008. No vizinho pavilhão 1 da PII ficam os condenados sem curso universitário, como os irmãos Daniel e Cristian Cravinhos – que confessaram participar, em 2002, do assassinato dos pais da namorada de Daniel, Suzane Von Richthoffen – e Lindemberg Alves, que em 2008 matou sua ex-namorada Eloá Pimentel, de 15 anos, e feriu outra garota, após cem horas de cerco policial.