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PF tenta conter risco de conflito em área quilombola

Por Marcelo Portela

Belo Horizonte – O risco de conflitos graves levou a Polícia Federal a deflagrar, hoje (16), a Operação Brejo dos Crioulos na área quilombola de mesmo nome no norte de Minas. O objetivo era apreender armas e munição e prender pistoleiros que estariam sendo contratados por fazendeiros que devem ter as terras na área desapropriadas.

A operação foi coordenada pela PF em Montes Claros e foi desencadeada nos municípios de Varzelândia, Verdelândia e São João da Ponte. Agentes da Polícia Federal já fizeram duas operações na região, em 2007 e 2009, e, segundo a instituição, “em ambas foram encontradas várias armas e munições nas fazendas”.

Ainda segundo a PF, investigações indicaram o risco de acirramento dos conflitos desde setembro do ano passado, quando a presidente Dilma Roussef assinou decreto reconhecendo a área como território quilombola. Isto deu início aos procedimentos que vão levar à desapropriação das fazendas, hoje sob responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

Os conflitos na região são acompanhados por várias entidades, que já denunciaram casos de violência e ameaças contra os quilombolas por parte de fazendeiros. Segundo a PF, as pessoas flagradas durante a operação podem ser condenadas a até sete anos de prisão por porte ou posse ilegal de armas.

Segundo a Associação Quilombola de Brejo dos Crioulos, hoje vivem mais de 600 famílias na área, a maior remanescente de quilombo em Minas Gerais. De acordo com a associação, a ocupação do território por escravos fugidos remonta ao século XVII, mas grandes partes de terras foram griladas por fazendeiros com uso de violência a partir da década de 1960, quando ocorreu uma expansão agropecuária na região.