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PF prende sobrinho e secretário de governador do AC

Esquema fraudava licitações de obras que nem chegaram a ser executadas; prejuízo aos cofres público seria de, pelo menos, 4 milhões de reais

Por Kalleo Coura 10 Maio 2013, 10h45

A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira o secretário estadual de Obras do Acre, Wolvenar Camargo Filho, e o diretor de Análise Clínica da Secretaria de Saúde, Tiago Paiva, sobrinho do governador Tião Viana (PT), durante a Operação G-7. Os dois e outras treze pessoas presas, entre elas empreiteiros e funcionários públicos, são acusados de cometer fraudes em licitação de diversas obras públicas, inclusive casas populares. Cento e cinquenta agentes da polícia cumprem ainda 34 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Tarauacá e Rio Branco.

De acordo com as investigações, as licitações investigadas eram direcionadas para empresas que já sabiam que seriam as vencedoras. Os outros integrantes do cartel apenas simulavam concorrer entre si para dar uma aparência de legalidade ao processo. Os empreiteiros que não participavam do esquema eram desqualificados logo na fase inicial de habilitação técnica. Em seis contratos examinados, num valor total de 40 milhões de reais, a Polícia Federal identificou um desvio de 4 milhões de reais – dez por cento do valor total.

Entre os outros presos estão Francisco Salomão, ex-presidente da Federação das Indústrias do Acre, o empresário Sergio Nakamura, afilhado político do senador Jorge Viana (PT-AC), irmão do governador, e Gildo Cesar Rocha, diretor do Departamento de Pavimentação e Saneamento do estado, que é casado com uma prima de Tião Viana.

O governador Tião Viana divulgou nota de apoio à operação policial, mas fez questão de dizer que “enquanto não houver um juízo condenatório, quer seja na esfera judicial, quer seja na esfera administrativa, é justo fazer, com absoluta consciência, a defesa à integridade moral de secretários e técnicos de governo supostamente envolvidos em fatos tornados públicos”.

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