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PF ouviu testemunha que prometia ligar facada em Bolsonaro ao PT

Advogado do presidente disse que foi procurado por ex-policial que relatou fatos 'sérios e graves'

Por Thiago Bronzatto, Daniel Pereira - Atualizado em 16 maio 2020, 16h04 - Publicado em 14 maio 2020, 14h17

Nesta quinta-feira 13, o novo diretor-geral da Polícia Federal, Rolando Alexandre de Souza, assistiu a uma apresentação do resultado do inquérito da facada no presidente Jair Bolsonaro. Em mais de 70 slides, o delegado Rodrigo Morais, responsável pelo caso, detalhou o caminho percorrido pela investigação. Um dos pontos discutidos foi o de uma testemunha que poderia apresentar “fatos novos” relacionados ao atentado.

No dia 11 de maio, Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio, deu uma entrevista à TV Bandeirantes dizendo que foi procurado por uma pessoa que poderia provocar uma reviravolta no caso. De acordo com as informações obtidas por ele, o crime teria sido encomendado – e poderia ter ligação com o PT.

Em seu relatório, a PF descarta essa hipótese. “Frederick Wassef, embora se apresente como advogado da vítima Jair Messias Bolsonaro, não possui procuração nos autos deste inquérito policial, sendo que jamais esteve nesta Polícia Federal para consultar as investigações, para indicar testemunhas ou para propor diligencias”, escreveu o delegado federal Rodrigo Morais.

A Polícia Federal entrou em contato com a tal testemunha, o cabo reformado da Polícia Militar Cleines Pinto de Oliveira, um dos responsáveis pela detenção de Adélio Bispo. Aposentado por “incapacidade definitiva e plena”, Oliveira tentou se eleger deputado estadual pelo PSL nas eleições de 2018, mas não teve sucesso. De acordo com um relatório de inteligência da PM, ele queria “vincular sua imagem à do presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, para conseguir algum cargo de livre nomeação”.

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O delegado Rodrigo Morais contatou o ex-cabo para tentar esclarecer a questão. Segundo a PF, a testemunha disse que não tinha nenhum fato novo a apresentar para a investigação. “Tem-se que as declarações feitas pelo advogado Frederick Wassef, entendidas por ele como de enorme potencial elucidativo para a investigação, foram detidamente investigadas neste inquérito policial, sendo que a suposta testemunha em nada contribuiu, até o momento, para a apuração dos fatos”, conclui o relatório.

Wassef afirmou a VEJA que é advogado de Bolsonaro desde 2014 e que recebeu uma ligação de uma testemunha, “informando fatos sérios e graves” sobre o episódio da facada. “Ele (Cleines) comprovou com filmes, fotos, com gravações, e esses fatos são sérios. Fiquei absolutamente convencido de que esse policial é capacitado, fala a verdade e não mentiu uma vírgula. Tudo o que falou provou. Foi ele quem prendeu Adélio Bispo”, disse ele. “Ele é testemunha presencial que Adélio Bispo não agiu sozinho. Ele me disse claramente o seguinte: ‘Doutor, quando Adélio enfiou a faca para assassinar Jair Bolsonaro tinha uma pessoa próxima ao Bolsonaro e ao federal que o carregava. Essa pessoa agarrou Adélio Bispo. Os comparsas de Adélio Bispo efetuaram socos violentos na cara, fazendo com que Adélio Bispo se soltasse para fugir’”. O advogado declarou ainda que a sua intenção nunca foi criticar ou desqualificar a PF. “Eu, na qualidade de uma pessoa neutra, isenta, que apenas estou exercendo a advocacia regular, normal, chega ao meu conhecimento um fato desse, seria condenável ficar inerte e me omitir sobre tão grave fato”.

Na tarde deste sábado 16, o advogado Frederick Wassef enviou a seguinte nota de esclarecimento:

“Sou advogado do presidente Jair Bolsonaro desde 2014 , como também sou advogado do seu filho o senador Flávio Bolsonaro .  Em setembro de 2019, após várias reuniões entre eu e o presidente Jair Bolsonaro no Palácio da Alvorada foram divulgadas na imprensa matérias com o titulo ‘a intensa agenda entre o presidente Bolsonaro e seu advogado Frederick Wassef’. Após tais matérias, o general porta-voz da Presidência da Republica convocou uma coletiva de imprensa e anunciou que a pauta tratada, entre outras, era o caso Adélio Bispo e que o presidente me acionou para atuar no caso. No dia 21 de setembro, o presidente assinou minhas procurações. Não fui à TV Bandeirantes para dar furo jornalistico, mas ao contrario fui  convidado por eles a dar entrevista em nome do presidente e aceitei pois me informaram que outras pessoas  seriam também entrevistadas, dentre elas um delegado da Polícia Federal representando a instituição, que  infelizmente não compareceu. Não existem mentiras ou nada fake no que afirmei. Ao contrario, fake e falsa é a afirmação que quem prendeu Adélio Bispo foi um agente da Policia Federal. Quem prendeu Adélio Bispo foi um  policial militar que o algemou e o levou para um lugar seguro até chegar o reforço da Policia Militar. Este policial  é testemunha  presencial  de  que a  Adélio Bispo não estava sozinho e que conseguiu se soltar da primeira pessoa que o prendeu graças à  ajuda de seus comparsas que agrediram fisicamente esta pessoa, possibilitando desta  forma sua fuga,  que terminou frustrada  gracas à atuação do policial que o prendeu ato continuo” .

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