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PF cumpre mandados de prisão no Rio em nova fase da Lava Jato

De acordo com a polícia, os investigados vão responder por prática de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros

Por Da redação Atualizado em 23 fev 2017, 14h38 - Publicado em 23 fev 2017, 06h53

A Polícia Federal está nas ruas do Rio de Janeiro, desde as 6h da manhã desta quinta-feira, para cumprir mandados de prisão na 38ª fase da Operação Lava Jato. São 15 mandados de busca e apreensão e outros dois de prisão preventiva para os lobistas Jorge Luz e Bruno Luz, pai e filho respectivamente. De acordo com a polícia, os investigados vão responder pela prática de corrupção, fraude em licitações, evasão de divisas e lavagem de dinheiro, entre outros crimes.

Jorge, de 73 anos, era tratado pelos investigadores como uma espécie de ‘pai dos operadores’ de propinas no esquema de corrupção na Petrobrás. Seu nome já tinha aparecido na Lava Jato durante as delações do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás Nestor Cerveró e do operador de propinas Fernando Baiano. Em abril de 2016, Cerveró disse ao juiz Sérgio Moro que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) recebeu propina de US$ 6 milhões por meio do lobista Jorge Luz, em 2006. O repasse, segundo ele, foi acertado em um jantar na casa de Jader Barbalho, em Brasília, com a presença de Renan Calheiros, Paulo Roberto Costa e Sergio Machado, ex-presidente da Transpetro.

O nome da operação – Blackout – é uma referência ao sobrenome dos lobistas e tem por objetivo demonstrar a interrupção definitiva da atuação destes investigados como representantes do poderoso esquema de corrupção. Os dois não foram encontrados no Brasil e já constam da lista de procurados da Interpol.

Em despacho, o juiz Sergio Moro ressaltou o “caráter serial dos crimes” e a “atuação criminal profissional” de pai e filho. “O caráter serial dos crimes, com intermediação reiterada de pagamento de vantagem indevida a diversos agentes públicos, pelo menos dois diretores e dois gerentes da Petrobras, em pelo menos cinco contratos diferentes da Petrobras, aliada à duração da prática delitiva por anos e a sofisticação das condutas delitivas, com utilização de contas secretas em nome de offshores no exterior (cinco já identificadas, sendo quatro comprovadamente utilizadas para repasses de propinas), é indicativo de atuação criminal profissional”.

Pai e filho

O lobista Jorge Luz, investigado pela PF
O lobista Jorge Luz, investigado pela PF Reprodução

Jorge Luz sempre foi conhecido como homem de confiança de Renan Calheiros e Jader Barbalho e tinha um bom trâmite entre políticos do PMDB, PT e PP. Ele costumava abrir caminho à realização de bons negócios para empresas nacionais e multinacionais. Em troca, receberia ‘pagamentos’, para serem divididos com parlamentares do esquema. Em junho de 2016, a PF levantou os registros de entrada e saída do país de Jorge e seu filho, Bruno Luz , e descobriu  que ambos viajavam com frequência para Miami, Europa e, no caso de Bruno, para o Panamá em 2013. O país é conhecido por ser um paraíso fiscal.

Segundo o procurador Diogo Castor de Mattos, da força-tarefa da Lava Jato, as prisões foram decretadas “para garantia de ordem pública e para assegurar a aplicação da lei penal, tendo em conta a notícia que os investigados se evadiram recentemente para o exterior, possuindo inclusive dupla nacionalidade”. A nota enviada pelo Ministério Público Federal (MPF) ressalta que, sendo confirmada a evasão dos suspeitos para o exterior, será pedida a inclusão deles na lista de foragidos internacionais da Interpol.

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