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PF cumpre mandado de busca na presidência da Petrobras

Polícia investiga contrato de R$ 500 milhões intermediado por ex-diretor Paulo Roberto Costa. Justiça expediu 23 mandados de busca e de prisão da operação Lava-Jato. Presidente Graça Foster recebeu agentes em sala de reunião

(Atualizado às 17h)

A nova rodada de apreensões da Polícia Federal na Operação Lava-Jato, antecipada pelo Radar On-line, tem como alvo contratos supostamente intermediados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa. Policiais recolheram na manhã desta sexta-feira documentos na sede da estatal, no Centro do Rio, e em uma unidade da empresa em Macaé (RJ). Os agentes estiveram no gabinete da presidência, mas não há informações sobre o recolhimento de material. Ao todo, estão sendo cumpridos 23 mandados – dois de prisão, seis de condução coercitiva e quinze de busca e apreensão.

À tarde, em nota, a empresa informou que a presidente Graça Foster recebeu pessoalmente os agentes. “Um delegado e três agentes da Polícia Federal foram recebidos pela presidente da Petrobras, Maria das Graças Silva Foster, em uma sala de reunião. Imediatamente, a presidente acionou a Gerência Jurídica da companhia para tomar todas as providências, com vistas ao cumprimento da ordem judicial”, diz a nota. A PF informou que a Justiça Federal do Paraná expediu mandados de intimação prévia para que a Petrobras apresentasse documentos. No entanto, “como houve colaboração, não foi necessário o cumprimento de mandados de busca e apreensão para o êxito na obtenção desses papéis. A presidência da Petrobras colaborou com os policiais federais apresentando os documentos, que foram apreendidos e contribuirão para a continuidade das investigações”..

Além dos desdobramentos criminais da investigação, a entrada da Polícia Federal no coração da estatal petrolífera é simbólica em um momento que a empresa enfrenta a pior crise em décadas. Ontem, a presidente da Petrobras, Graça Foster, combinou com a base do governo no Senado que comparecerá à audiência, na próxima terça-feira, para falar sobre a crise. Politicamente, é uma tentativa do governo de esvaziar a CPI criada para investigar a empresa no Congresso.

A PF suspeita que Paulo Roberto Costa, atualmente preso em Curitiba (PR), tenha recebido propina para favorecer fornecedores e prestadores de serviço. A PF detectou trocas de e-mails de Costa com empresários que prestam serviços para a estatal. Num dos casos, a Ecoglobal, administrada por Vladimir Silveira e pela filha Clara, fechou contrato de 500 milhões de reais com a Petrobras em meados de 2013. Os investigadores suspeitam de um detalhe em particular, identificado nas trocas de mensagens: antes de começar a prestar os serviços, os empresários da Ecoglobal já mencionavam a possibilidade de conseguir um aditivo de até 15% sobre o valor do contrato.

As residências dos sócios da Ecoglobal foram alvo de mandado de busca e apreensão. Vladimir Magalhães da Silveira e Clara tiveram de prestar depoimento na Superintendência da PF no Rio, porque foram expedidos contra eles mandados de “condução coercitiva”. Foi detectado que a Ecoglobal negociou com outras empresas a venda de uma participação societária. E há indícios de que a conclusão desses negócios dependia da obtenção de aditivos.

Antes disso, a Ecoglobal já tinha obtido pelo menos 28,6 milhões de reais em contratos com a Petrobras de agosto de 2009 a abril de 2013. O primeiro contrato,que aparece no site de transparência da Petrobras, foi fechado em 19 de agosto de 2009, e, depois de quatro aditivos, chegou a 18,2 milhões de reais. As contratações, teoricamente, foram para prestar serviços de recuperação de efluentes, tratamento e descarte de água oleosa.

A Superintendência da PF no Paraná, base da operação, informou que o objetivo é buscar documentos que auxiliem os trabalhos da investigação. “O material arrecadado hoje contribuirá para os relatórios finais dos inquéritos em andamento”, diz a nota da PF.

A Operação Lava-Jato foi deflagrada no dia 17 de março deste ano para desmontar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo quatro doleiros, que movimentaram mais de 10 bilhões de reais. A operação prendeu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. O cabeça do esquema era o doleiro Alberto Youssef, preso em Curitiba (PR).

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