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PF apreende R$ 770 mil, armas e pó branco com mafiosos da Ndrangheta

Italianos presos no litoral de São Paulo são suspeitos de trabalhar para o braço da máfia na América do Sul e estavam foragidos desde 2014

A Polícia Federal apreendeu com os italianos da máfia Ndrangheta 770.000 reais, 24.432 dólares e 6.165 euros em dinheiro vivo, além de quase 4 quilos de pó branco que aparenta ser cocaína, pistolas, 41 munições calibre 380 e 14 aparelhos celulares nesta segunda-feira 8.

Nicola Assisi e Patrick Assisi, pai e filho, foram presos em uma cobertura de luxo na Praia Grande, no litoral sul de São Paulo, que contava com um sofisticado aparato de contra-inteligência.

A PF cumpriu na manhã de segunda os dois mandados de prisão, para fins de extradição. Os italianos são suspeitos de trabalhar para o braço da máfia italiana na América do Sul.

Segundo a PF, “o grupo mafioso, baseado na região da Calábria, no sul de Itália, controlaria 40% dos envios globais de cocaína, sendo o principal esquema criminoso importador para a Europa”. Um dos presos já tem condenação por tráfico e associação para tráfico de drogas na Itália (com pena fixada em 14 anos de prisão).

Foram apreendidos durante a operação uma pistola calibre 40, duas pistolas calibre 380, 41 munições calibre 380, 14 aparelhos celulares variados, um telefone satelital e outros aparelhos de informática, relógios de luxo, documentos falsos e cartões de crédito. A PF também encontrou 770.745 reais, 24.432 dólares, 6.165 euros e 3,973 kg de pó branco aparentando ser cocaína.

Nicola Assisi é considerado um dos maiores traficantes de drogas do mundo. Em 2016, o jornal Corriere Della Calabria publicou reportagem em que o classificava como “o fantasma da Calábria que enche a Itália de cocaína”.

Em entrevista coletiva, o superintendente da PF no Paraná, Luciano Flores, afirmou que ele é “um dos principais elos da máfia italiana Ndrangheta, e estava no Brasil há bastante tempo, ha duas décadas foragido”. Procurado pela Interpol, Nicola já residiu em outros países, como em Portugal, onde chegou a ser preso e fugiu. Passaportes falsos e documentos falsos foram apreendidos na residência onde morava no litoral de São Paulo.

Em razão dos aparatos de contrainteligência do italiano, Flores diz que foi necessária uma “operação bastante complexa” para efetuar a prisão de Assisi e seu filho. “O outro, filho do primeiro criminoso, ocupava ao menos três apartamentos na cobertura de prédio de alto padrão, no litoral paulista”, afirma a PF.

De acordo com a corporação, “ambos estavam foragidos desde de 2014, havendo notícia de que passaram por Portugal e Argentina, utilizando-se de nomes falsos”. A cobertura onde foram presos possuía sofisticado sistema de vigilância, com câmeras na área externa, o que possibilitava identificar todos as pessoas que acessavam o prédio, segundo a PF.

“Os mandados foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, a pedido da Representação da Polícia Federal junto à Interpol, em cooperação à Polícia Italiana”, afirmou a polícia.

(Com Estadão Conteúdo)