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PF abrirá novo inquérito para investigar o caso Marielle

Polícia irá apurar se houve envolvimento de agentes públicos e milicianos em ações para impedir a solução do caso

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou nesta quinta-feira (1º) que determinou, a pedido da procuradora-geral da República, a abertura de um inquérito pela Polícia Federal para investigar acusações que apontam o envolvimento de agentes públicos e milicianos em ações para impedir a apuração dos assassinatos da ex-vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista dela, Anderson Gomes, em março.

As acusações foram feitas em depoimentos prestados a procuradores da República, disse Jungmann. O ministro anunciou que o novo inquérito vai apurar a prática dos crimes de organização criminosa, coação no curso do processo, fraude processual, favorecimento pessoal, patrocínio infiel, exploração de prestígio, falsidade ideológica, outras falsidades e eventual crime de corrupção relacionados aos dois assassinatos. Segundo o ministro, as acusações são “gravíssimas” e têm de ser apuradas.

Um dos depoimentos foi tomado há pouco mais de um mês, e o segundo, entre 15 e 20 dias atrás. Segundo o ministro, os depoentes terão direito à proteção policial e não há prazo para a conclusão do inquérito da PF. Até o momento, o assassinato de Marielle e Anderson foi conduzido exclusivamente pelo Ministério Público Estadual do Rio e pela Polícia Civil fluminense.

O ministro disse que o MPE vai continuar levando adiante a apuração da morte. Já o MP Federal será responsável por investigar se houve atuação de pessoas para impedir que fosse descoberto o mandante do crime.

A Procuradoria-Geral da República chegou a avaliar, no início das apurações, a federalização das investigações, lembrou Jungmann, mas houve um movimento da MP do Estado do Rio, que obteve uma liminar do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que lhe garantiu a competência para conduzir essa investigação.

O ministro disse que essa nova frente de investigação também poderá ajudar, de alguma forma, na elucidação do caso. “É um crime que, sem sombra de dúvida, fere a democracia”, disse. “Não recomeça do zero (a investigação), porque vai ter duas apurações correndo em paralelo.”