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Pezão recua e diz que paz no Alemão vai demorar décadas

Após fracasso de ocupação policial em conjunto de favelas, governador do Rio de Janeiro diz que "pacificação" é "processo permanente"

Por Da Redação 6 abr 2015, 20h40

O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), admitiu que a paz no Complexo do Alemão, onde quatro pessoas foram assassinadas em dois dias da semana passada, não acontecerá em “10, 15 anos”. Segundo ele, é “um processo permanente” o trabalho das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), vendidas pelo governo como responsáveis pela “pacificação” em favelas.

“Foram 20, 30 anos de abandono dentro dessas comunidades. O próprio Alemão era a central do crime organizado. Não vão ser 8, 10, 15 anos que vão levar a paz”, disse Pezão nesta segunda-feira, 06, em entrevista à Rádio Globo.

O Complexo do Alemão é policiado pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pelo Batalhão de Choque desde a última quinta-feira. No domingo, o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), visitou a região e criticou a falta de ações sociais nas favelas e de assistência do governo estadual às vítimas da violência. Ele disse que houve erros de “planejamento e implantação” de UPPs no complexo.

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Segundo o deputado, não há interlocutores do Estado nas comunidades, só PMs, que relataram trabalhar sob forte pressão. Pimenta reclamou que falta apoio psicológico aos colegas de escola de Eduardo de Jesus Ferreira, morto aos 10 anos com um tiro na quinta-feira, e à família de Elisabete Moura Francisco, de 40, baleada no rosto dentro de casa na terça-feira. “É um desrespeito com a dor, com a realidade. Isso é a prova inequívoca da banalização da violência.”

Audiência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara será marcada no Alemão, o que deve ocorrer até sexta-feira. Segundo o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o caso do complexo será pauta da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instaurada em 26 de março e que investigará as mortes de jovens negros e pobres. “Faremos uma oitiva no Alemão”, afirmou Wyllys.

As declarações dos parlamentares ocorreram em reunião com o deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Marcelo Freixo (PSOL), representantes de ONGs e parentes de vítimas de violência policial. Segundo Freixo, a comissão realizará duas audiências, para debater as condições de trabalho dos PMs e a violência no Alemão.

Em nota, a Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou haver “diversos projetos sociais nas comunidades do complexo realizadas em parceria com as UPPs”. Sobre a ausência do Estado nas comunidades, a CPP divulgou que “em março foi aprovado o decreto do governador Luiz Fernando Pezão que regulamenta o Programa de Polícia Pacificadora a fim de aprimorar os processos de monitoramento e avaliação”.

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