Clique e assine a partir de 9,90/mês

Peregrinos dormem na areia e nas ruas de Copacabana

Areia se transformou em um grande acampamento de fiéis. Estrangeiros ainda estão descobrindo as mudanças na programação e ficam surpresos, sem entender o cancelamento da vigília em Guaratiba

Por Carolina Farina - 26 Jul 2013, 12h08

Na areia de Copacabana, o clima é de festa: para onde se olha, há peregrinos cantando, conversando, fazendo orações e, até, jogando futebol e tomando sol. Sim, a chuva deu trégua, como pedia a simpatia para Santa Clara receitada pelo papa Francisco, mas o frio e o vento ainda persistem. Será esse novamente o clima na orla, onde ocorrerá a encenação da via-sacra nesta sexta-feira. O território dos fiéis, desde a manhã, é demarcado por cadeiras de praia, sacos de dormir e barracas de camping. A preparação é para acompanhar os eventos de sábado e domingo, que marcarão o encerramento da Jornada Mundial da Juventude.

Embora a vigília tenha sido cancelada, os peregrinos não pretendem deixar a praia – e vão usar os sacos de dormir que trouxeram quando ainda pensavam que passariam a noite em Guaratiba. Aliás, alguns jovens ainda pensam. Os peregrinos não foram informados de maneira oficial – nem informal – sobre a mudança. Na noite de quinta-feira, quando todos estavam reunidos na praia, a organização da JMJ perdeu a oportunidade de informá-los por meio do sistema de som, o que facilitaria a vida de quem não tem acesso ao noticiário. A notícia, dada em primeira mão pelo site de VEJA, foi espalhada pelo boca a boca e confirmada mais tarde, nos telejornais.

O Calvário dos peregrinos: falhas na organização prejudicam a Jornada Mundial da Juventude

Acompanhe a JMJ no site de VEJA

Continua após a publicidade

Quem não tem intimidade com o português ainda não compreendeu exatamente o que se passa. Um grupo de adolescentes do estado de Michigan, nos Estados Unidos, passeava desavisado pela praia e só soube da alteração ao ser abordado pela equipe de reportagem do site de VEJA. Não esconderam a decepção ao saber que não caminhariam mais os 13 quilômetros ou passariam a noite em vigília em Guaratiba. Iris Chan e Clare Williams contam que se hospedaram longe de Copacabana justamente para ficarem mais perto do Campus Fidei. Agora, terão de se preparar para pelo menos mais quatro maratonas de ônibus. “Isso é sério? Teremos que nos reprogramar. Como faremos a partir de agora?”, queriam saber.

Os peregrinos que estão próximos do palco onde será realizada a missa chegaram por ali muito cedo – a maioria, ainda de madrugada. Outros sequer foram embora após a celebração de quinta-feira. Mas vale tudo para chegar mais perto do pontífice. É o que garantem os amigos Amauri Fernandes, Gustavo Fonseca e Guilherme das Mercês, de Anápolis, em Goiás. Sentados sobre uma lona desde as 8h da manhã, os três já aguardam a chegada de Francisco. E vão ficar na areia até domingo, faça chuva ou faça sol. O trio não trouxe sequer barraca ou saco de dormir. A lona será sua casa pelos próximos dois dias.

Missa final da JMJ será em Copacabana, não mais em Guaratiba

Obra da Jornada Mundial da Juventude alaga casas em Guaratiba

Continua após a publicidade

MInistério Público aponta falhas na organização da Jornada Mundial da Juventude

Os amigos, porém, não ficarão sozinhos. Mais à frente, um grupo de cinquenta peregrinos de El Salvador já reservou um grande trecho de areia, pelo qual espalhou suas cadeiras de praia e sacos de dormir. Vão ficar no “cercadinho” até o fim da Jornada Mundial da Juventude, no domingo. O grupo está hospedado no Leblon e chegou às 7h em Copacabana. Para passar o tempo, conversam, rezam e comem biscoitos. O máximo de conforto resume-se ao uso dos banheiros químicos da orla, mas nada de banho. “Já estamos esperando pela vigília”, contam. O grupo descobriu que não mais passaria a noite em Guaratiba de forma inusitada: a partir de um telefonema dos familiares, de El Salvador.

Vizinhos ao grupo estão treze jovens de Massaranduba, em Santa Catarina: em um círculo, espalharam as cadeiras de praia que alugaram por 20 reais – o valor normal, nos fins de semana de praia, é de 5 reais – e suas cangas. Aguardam animados pela passagem do papa e descansam após as três horas que levaram para chegar ao local onde estão hospedados. No sábado, o grupo promete ir para ficar: vão dormir na praia com ou sem vigília. Apesar da dificuldade de deslocamento, eles não reclamam: “O povo do Rio de Janeiro é muito acolhedor. Pessoas desviam de suas rotas ao caminho do trabalho para nos ajudar. Estamos sendo muito bem tratados”, contam Bianca Maria Ranghetti, de 16 anos, e Ariel Fontanive, 20.

Muitos peregrinos aproveitam o dia de sol em Copacabana para curtir a praia enquanto o papa não chega. Um grupo de garotos argentinos se distrai jogando futebol e tomando sol ao lado de suas mochilas e lonas. Hospedados na Glória, tentarão seguir direto na praia até domingo, mas temem que o excesso de pessoas, o frio e a chuva os impeça. “Se os dias seguirem perfeitos como hoje, ficaremos”, conta Gonzalo Soria.

Continua após a publicidade

</p>
<p>Francisco começa a sexta-feira ouvindo as confissões de cinco peregrinos da Jornada Mundial da Juventude. À noite, o pontífice assiste a um dos momentos mais importantes do evento: a Via-Sacra, na praia de Copacabana.</p>
<p>https://storify.com/vejanoticias/acompanhe-o-5-dia-do-papa-no-rio/embed?border=true

Publicidade