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Percepção da corrupção piorou durante o governo Lula

O país obteve nota 3,7 em escala de zero a dez e ocupa 69ª posição na lista

A percepção da corrupção no Brasil piorou durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O carisma de Lula, aliado aos programas sociais do governo, ao crescimento econômico e à eleição do país para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio, serviram para mascarar os profundos problemas de corrupção no Brasil. É o que revela o Índice de Percepção da Corrupção, elaborado pela ONG Transparência Internacional, com sede em Berlim.

O Brasil manteve em 2010 o mau desempenho dos últimos anos no ranking. De acordo com o relatório divulgado nesta terça-feira, o país alcançou 3,7 pontos no indicador – mesma pontuação obtida no ano passado. Como houve piora em outros países, o Brasil acabou subindo seis posições no ranking e ocupa agora o 69º lugar. A entidade aponta que isso não significa que a situação do país melhorou e alerta: a corrupção no Brasil é um problema que não foi resolvido pelo governo Lula.

Em 2002, por exemplo, o Brasil era o 45.º colocado na lista, com uma pontuação superior à de hoje. Em oito anos, a constatação da entidade é de que o Brasil desabou na classificação. “A mudança de posição no ranking não é o importante. O que importa é que a pontuação do Brasil não melhorou”, explicou Alejandro Salas, diretor da entidade para as Américas. A mudança de posição, disse, ocorreu porque outros caíram e o relatório deste ano tem dois países a menos.

A Transparência Internacional estabelece notas de zero a dez para os países. A pontuação mais próxima de zero indica que uma nação é vista como muito corrupta, enquanto as que se aproximam de dez são classificadas como menos corruptas. Para distribuir as notas, a ONG realiza pesquisas com especialistas e executivos dos 178 países avaliados. Os entrevistados avaliam como percebem a presença da corrupção nas instituições públicas dos países onde vivem.

Após estabelecer as notas, a ONG elabora o ranking comparativo. Ocupam as primeiras posições as nações em que a corrupção se faz menos presente. As mudanças mais significativas na listagem foram identificadas em Cuba, país em que a corrupção ganhou terreno, e no Chile e Equador, onde retrocedeu de forma notável.

O Chile voltou a ser o país latino-americano mais bem situado na classificação, ao obter 7,2 pontos dos 10 possíveis, e ascender quatro posições com relação à edição do ano passado. O país está agora na 21ª posição. Já o Equador melhorou de forma notável, passando de 0,03 ponto, para 2,5 pontos. O país subiu da 146ª posição para a 127ª. Cuba, que historicamente situava-se entre os países latinos menos corruptos, caiu de 4,4 pontos em 2009 para 3,7 em 2010, e recuou oito posições.

Os países que mais pioraram nesta classificação com relação ao ano passado são a República Tcheca, Grécia, Hungria, Itália, Madagascar, Níger e Estados Unidos. Por sua vez, os países que experimentaram melhorias mais significativas nos últimos 12 meses são Butão, Chile, Equador, Macedônia, Gâmbia, Haiti, Jamaica, Kuwait e Catar.

Como nos últimos anos, as nações mais bem situadas no Índice de Percepção da Corrupção 2010 são Dinamarca (9,3), Nova Zelândia (9,3) e Cingapura (9,3). Na outra ponta da tabela aparecem Iraque (1,5), Afeganistão (1,4), Mianmar (1,4) e Somália (1,1).

(Com agências Estado e EFE)