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Paulo Vieira pede demissão de diretoria da ANA

Pivô da Operação Porto Seguro, ex-diretor estava afastado do cargo. Segundo a PF, a quadrilha fraudava pareceres técnicos e praticava tráfico de influência

Por Laryssa Borges 6 dez 2012, 20h48

Apontado como chefe da quadrilha desmontada pela Operação Porto Seguro da Polícia Federal, Paulo Rodrigues Vieira enviou nesta quinta-feira à Presidência da República pedido de demissão do cargo de diretor de hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA). A exoneração deverá ser publicada nesta sexta no Diário Oficial da União.

De acordo com as investigações da PF, Vieira integrava uma quadrilha infiltrada em órgãos do governo federal que praticava tráfico de influência e fraudava pareceres técnicos. Ele estava afastado do posto desde o estouro da operação policial, no dia 23 de novembro. Também faziam parte do grupo Rosemary de Noronha, ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rubens Vieira, diretor afastado da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e o número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda.

Seis pessoas foram presas, e dezenove, indiciadas pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e corrupção ativa e passiva.

Influência – Nesta quinta-feira, durante audiência no Congresso, o presidente da ANA, Vicente Andreu, afirmou descreveu Paulo Vieira como uma pessoa “ambiciosa”, que almejava cargos no governo e carreira política, mas desprovida de conhecimentos técnicos para ocupar a diretoria de hidrologia do órgão.

Segundo Andreu, Vieira tinha temperamento “difícil” e tinha o hábito citar o nome de Rosemary de Noronha e do ex-ministro José Dirceu. “Era do tipo de pessoa que queria alçar outros voos. Falava muito em ser candidato, tinha pretensões eleitorais, chegava a mencionar que estava sendo cotado para ser ministro. Esse tipo de arroubos que a gente tinha que lidar”, disse. “[Vieira] Mencionava constantemente seu desejo de ser candidato a deputado estadual por outro partido. Mas ele sempre manifestou que ele concorreria por um partido que não era o PT.”

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