Partidos reclamam de plataformas digitais por propaganda de produtos em evento do TSE
Oficina foi organizada pela Justiça Eleitoral a pedido de caciques partidários, que queriam esclarecimentos sobre funcionamento das redes
A poucas semanas do início da campanha eleitoral, uma oficina virtual realizada pelo TSE, nesta terça-feira, reuniu representantes de partidos políticos e de plataformas digitais para uma conversa sobre “alcance e responsabilidade nas redes”. Estavam presentes, além de assessores das legendas partidárias, executivos do TikTok, Meta, X, Kwai, Google, YouTube e Telegram.
Segundo a Justiça Eleitoral, o objetivo do encontro era “fortalecer a interlocução entre a Justiça Eleitoral, os partidos políticos e as plataformas digitais, por meio do compartilhamento de recomendações estratégicas, esclarecimento de dúvidas e divulgação de boas práticas, políticas e ferramentas voltadas à integridade da informação”.
Participantes do encontro, no entanto, alegam que não foi bem esse o roteiro seguido pelas plataformas digitais. Em vez de esclarecimentos e recomendações, as redes aproveitaram o encontro promovido para o TSE para fazer propaganda e oferecer sua carteira de produtos aos partidos.
“O que foi anunciado como ‘workshop sobre as plataformas’ e que segundo eles traria esclarecimento de dúvidas sobre uso desses canais e suas implicações para o período eleitoral, virou, na verdade, um grande espaço para ficarem vendendo suas funcionalidades e vantagens”, diz um assessor de um dos partidos presentes no encontro.
Mensagens obtidas pelo Radar mostram que o chat do evento chegou a registrar reclamações de representantes das legendas sobre o viés comercial da conversa.
“Mais uma vez um tempo de workshop desperdiçado para fazer propaganda da plataforma e ensinar a usar. Precisamos que foquem nas eleições”, disse uma assessora de um partido.
“Concordo!”, respondeu outro.
“Não fica bem usar essa oportunidade para vender produtos”, seguiu um terceiro assessor presente.
Apesar das reclamações, o evento foi organizado pelo TSE a pedido dos caciques partidários que queriam ouvir das redes explicações sobre funcionamento de cada plataforma e medidas aceitas ou não durante a campanha. Como foi algo voluntário, na visão de algumas fontes consultadas pelo Radar, seria natural que as plataformas divulgassem seus produtos. A controvérsia está no ambiente em que tudo foi feito.







