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Para o comandante da PM, bando do arrastão é o mesmo que fez ataques em 2006

Coronel Mário Sérgio Duarte acredita que criminosos estejam incomodados com o avanço das UPPs, como reagiram às operações em favelas há 4 anos

“O crime está em franco declínio. Mas um carro incendiado na Linha Vermelha provoca grande impacto nas pessoas. Esses ataques são para sinalizar para a população que estão insatisfeitos com a nossa política. Eles (os bandidos) estão muito incomodados, mas não vamos voltar atrás”

O comandante-geral da Polícia Militar do Rio, Mário Sérgio Duarte, está convencido de que os responsáveis pelos arrastões do fim de semana e desta segunda-feira são os mesmos que, em 2006, promoveram uma onda de ataques às vésperas do Natal. Na ocasião, lembra o coronel, o objetivo dos criminosos era tentar impedir a estratégia de combate ao tráfico de drogas nas favelas. “Aquele grupo de 2006 tentava intimidar o governo que chegava. Sabiam que queríamos mudar a cara da segurança pública. Este grupo, agora que estamos avançando com as UPPs, tenta resfriar a política de segurança. Não vão conseguir”, afirmou, em entrevista ao site de VEJA.

Em 2006, traficantes incendiaram ônibus, alvejaram postos policiais, delegacias, agências bancárias e lojas no momento em que se desenhava uma série de ações para tentar prender chefes do tráfico. Em um dos ataques, sete pessoas morreram e 20 ficaram feridas quando bandidos incendiaram um ônibus.

Mário Sérgio não dá nomes, mas afirma que está próximo de chegar aos responsáveis pelos roubos e incêndios de carros na Linha Vermelha, no domingo, e em Irajá, na manhã desta segunda-feira. “O crime está em franco declínio. Mas um carro incendiado na Linha Vermelha provoca grande impacto nas pessoas. Esses ataques são para sinalizar para a população que estão insatisfeitos com a nossa política. Eles (os bandidos) estão muito incomodados, mas não vamos voltar atrás”, disse.

Arrastão na Linha Vermelha deixa carros queimados e provoca pânico nos motorista Arrastão na Linha Vermelha deixa carros queimados e provoca pânico nos motorista

Arrastão na Linha Vermelha deixa carros queimados e provoca pânico nos motorista (/)

Apesar do efeito amedrontador dos incêndios de automóveis em via pública, o comandante-geral da PM nega que esses crimes sejam ações terroristas. Em vez disso, prefere classificar como ações de bandidos insatisfeitos. “Quando vão para vias expressas tocar o terror, os bandidos querem causar medo na população. Isso, quantitativamente, não representa muito. Mas qualitativamente é um dano grande, gera muita repercussão”, avalia.

É a sensação de insegurança o alvo imediato da PM, segundo o coronel. A partir desta terça-feira, o Quartel-General da corporação, no centro do Rio, vai funcionar com estrutura reduzida – apenas protocolo e áreas essenciais. O efetivo normalmente empregado em trabalhos burocráticos será deslocado para a rua, onde dará segurança à população enquanto unidades operacionais vão ocupar favelas que, de acordo com o serviço de inteligência da Secretaria de Segurança, são locais de esconderijo dos criminosos.”Estamos reduzindo escalas. O policial vai trabalhar muito mais para termos policiais nas ruas e aumentarmos o nosso policiamento a pé. Neste momento, o importante é garantir a sensação de segurança”, explica Mário Sérgio. Em 2011, o quadro de policiais militares do estado do Rio deve ser ampliado, com 3.600 novos PMS. Segundo Mário Sérgio, já há autorização do governo do estado para criação de mais 7 mil vagas – parte do compromisso assumido pelo estado de, até 2014, ampliar para 50 mil o efetivo total. Em 2016, este número deve chegar a 60 mil.

Transferência de presos – Os ataques no Rio – e a repercussão negativa das imagens de carros incendiados na Linha Vermelha e em Irajá – ocorreram no momento em que o secretário de Segurança Pública do Rio estava fora do estado. José Mariano Beltrame viajou, na manhã desta segunda-feira, para Brasília, para se reunir com o secretário nacional de Segurança Pública, Ricardo Balesteri. Na pauta do encontro, entre outros temas, estava a transferência de criminosos de alta periculosidade para presídios federais – uma das medidas que, em 2006, ajudou a conter a ofensiva de terror dos criminosos.

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