Clique e assine a partir de 9,90/mês

Para chegar ao topo da PGR, Rodrigo Janot fez verdadeira campanha eleitoral

Ele contratou assessoria para angariar votos entre procuradores e se licenciou do cargo de subprocurador-geral para dedicar-se à disputa

Por Marcela Mattos - 17 ago 2013, 22h10

Desde o início das movimentações para a sucessão de Roberto Gurgel, o subprocurador-geral Rodrigo Janot Monteiro de Barros despontou na disputa pelo cargo. Em abril, Janot encabeçou a peneira para a seleção de três candidatos, realizada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), e foi apresentado à presidente Dilma Rousseff como favorito da lista tríplice, ao conseguir 511 votos favoráveis para chegar ao comando da Procuradoria-Geral da República (PGR). Dilma não teria de seguir, obrigatoriamente, a indicação da entidade. No entanto, desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula o governo petista acolhe a sugestão da ANPR.

Leia mais:

Dilma indica Rodrigo Janot para cargo de procurador-geral

Mineiro de Belo Horizonte e mestre em direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Janot, 56 anos, já foi procurador da República, procurador regional e secretário geral do Ministério Público Federal, entre outras funções. Também foi professor titular de direito processual civil da Universidade do Distrito Federal (UDF) até 1995.

Continua após a publicidade

Em uma de suas atuações mais controversas, Janot comprou briga com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ao emitir um parecer ao Supremo Tribunal Federal no qual sustenta que o exame aplicado pela entidade é inconstitucional. No documento, Janot alegou que a prova da OAB, aplicada como requisito para a atuação de advogados, viola o direito ao trabalho e à liberdade de expressão. “Não contém na Constituição mandamento explícito ou implícito de que uma profissão liberal, exercida em caráter privado, por mais relevante que seja, esteja sujeita a regime de ingresso por qualquer espécie de concurso público”, argumentou. O caso ainda aguarda análise da suprema corte.

Por trás da chegada de Rodrigo Janot à PGR, há um considerável investimento em campanha eleitoral. Único a contratar uma assessoria de imprensa para profissionalizar sua corrida por votos para a lista tríplice – fato, aliás, alvo de críticas -, o magistrado chegou a se licenciar do cargo de subprocurador-geral da República para dedicar-se exclusivamente à disputa.

Em seu site pessoal, outra ferramenta utilizada para conquistar eleitores, Janot expõe as metas que pretende cumprir ao longo dos dois anos de mandato. Entre os vinte pontos listados estão o aprimoramento das relações entre o Ministério Público da União (MPU) e o Legislativo, a criação de grupos de combate à corrupção e ao crime organizado e a valorização da carreira dos integrantes do MP, “com recomposição remuneratória necessária para o fiel desempenho da função, inclusive mediante mecanismos suplementares previstos em Lei”.

Publicidade