Para Afif, fracasso da 3ª via em 2026 não impede salto do PSD no Congresso
Fundador do PSD minimiza estagnação na corrida presidencial e projeta avanço da legenda no legislativo
Uma das legendas que ousou desafiar a hegemonia do lulopetismo e do bolsonarismo junto ao eleitorado na corrida presidencial foi o Partido Social Democrático (PSD), com a chapa encabeçada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e seu candidato a vice, Gilberto Kassab, que também comanda a sigla. Mas, a poucos dias da eleição presidencial, as pesquisas de intenção de voto indicam que a construção de uma terceira via não se viabilizou na prática.
Para o fundador do PSD, Guilherme Afif Domingos, atual Secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos do Governo de São Paulo, apesar da trajetória aquém das expectativas na disputa pelo Planalto, a principal estratégia eleitoral do partido pode estar atrelada a outros objetivos. “Me parece que esta eleição para o Kassab é uma eleição de crescimento de representação. Ele tem bons quadros no Brasil todo. A polarização do cargo de presidente não vai até a base. Então, você tem muita gente que é independente de um e de outro, tem a sua posição política local”, afirmou Afif ao Radar.
Para o experiente político, responsável por tocar um dos maiores projetos da gestão Tarcísio de Freitas — a mudança da sede administrativa do governo paulista para os Campos Elíseos, no centro da capital —, a performance do PSD nas eleições de 2026 deve ser observada com maior atenção no âmbito legislativo, já que o partido conquistou 887 prefeituras no pleito de dois anos atrás, sendo o que mais elegeu líderes municipais no país, de acordo com dados do TSE. “O Kassab fez o maior número de prefeitos. E o prefeito tem influência na eleição de deputados. Então, acho que é por aí que tem que ser analisado o crescimento do PSD, não pelo cargo do Executivo, e sim pelos cargos de representação”, defende o secretário.
Se a polarização não deve atrapalhar diretamente as escolhas dos eleitores para o Congresso Nacional, Afif sabe que isso não se aplica à disputa presidencial. O antagonismo entre petistas e bolsonaristas, que marcou o pleito de 2022, permanece no país. Entre as “vítimas” dessa dicotomia está Ronaldo Caiado. Aprovado por 87% dos eleitores goianos, de acordo com pesquisa Quaest divulgada em julho, o ex-governador não conseguiu mobilizar sua candidatura nacionalmente.
Para o titular da pasta de Projetos Estratégicos do Governo paulista, a chapa de Caiado foi prejudicada pela polarização e merecia mais votos por ele ser um “bom administrador”. Entretanto, Guilherme Afif avalia que a radicalização não se sustentará após a eleição. Caso a tese se confirme, seu correligionário Ronaldo Caiado ou o aliado Tarcísio de Freitas poderão assumir, de fato, o protagonismo da direita em 2030.







