Clique e assine a partir de 8,90/mês

Painel feito por crianças carentes é destaque na Rio+20

Por Da Redação - 20 jun 2012, 17h47

Por Heloisa Aruth Sturm

Rio – Na Cúpula dos Povos, entre a monocromia das grandes tendas brancas de debate, chama a atenção um colorido painel gigante de 96 m2 com 24 desenhos e uma “oração da mata”. A obra é resultado de um trabalho realizado com crianças carentes de uma escola municipal de Joinville (SC) pelo “Cacos da Mata”, um projeto de arte-educação ambiental.

Durante seis semanas, os 1,3 mil alunos da Escola Ada Sant’anna da Silveira tiveram contato com as obras dos artistas Paulo Tajes Lindner e Ana Beatriz Raposo, que criam peças a partir de lonas de caminhão e vidros reciclados. Os estudantes fizeram uma releitura desses trabalhos para decorar a escola. “Eu mudei o meu ateliê pra lá, porque ficava o dia inteiro praticamente com as crianças”, disse Lindner. Da parceria com o comitê catarinense para a Rio+20, da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), surgiu a proposta de fazer o painel gigante pintado por algumas dessas crianças.

Alunos do 8º e 9º anos dividiram-se em equipes e escolheram algumas das obras de Lindner para reinterpretarem. Os moradores e comerciantes do bairro de Paranaguamirim, na periferia de Joinville, se solidarizaram com o projeto e doaram dinheiro para a compra de tintas e outros materiais. Com a ajuda do professor de matemática, os alunos ampliaram os desenhos que fizeram em papel sulfite e o transpuseram para o tamanho que aparece no painel. A “oração da mata” é de autoria de Beatriz.

Na volta para casa, Lindner pretende fazer uma exposição do painel na cidade. “Queremos fazer algo para prestigiar essas crianças, porque a gente plantou uma semente e isso pode ter um resultado incrível na comunidade”. O “coquetel” de lançamento terá direito a suco, cachorro-quente e pipoca para os alunos.

“Por meio da arte nós buscamos provocar uma reflexão das pessoas sobre a importância das florestas para a qualidade de vida das presentes e futuras gerações”, disse o artista, que há anos atua na preservação da Serra Dona Francisca, remanescente de Mata Atlântica na região catarinense.

Continua após a publicidade
Publicidade