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Pai é indiciado por extorquir padre acusado de molestar suas filhas

Testemunhas afirmam à polícia que homem teria exigido dinheiro para não divulgar imagens em que a própria filha aparece fazendo sexo com o religioso

Por Da Redação 27 fev 2013, 18h49

O caso do padre de Niterói Emilson Soares Corrêa, suspeito de ter abusado de duas menores, ganhou tons ainda mais dramáticos. Nesta quarta-feira, a polícia indiciou o pai das meninas por extorsão. A delegada Marta Dominguez, da Delegacia Especial de Apoio à Mulher (Deam) de Niterói, afirma que testemunhas contam que o pai das vítimas chantageou o padre, cobrando dinheiro ou uma casa em troca da não divulgação do vídeo em que o religioso aparece fazendo sexo com uma menor.

“O indiciamento é baseado no depoimento de testemunhas apresentadas pelo padre e que estavam presentes na arquidiocese de Niterói quando o pai da jovem compareceu e afirmou que não apresentaria o vídeo à imprensa, desde que ele recebesse uma casa e dinheiro”, disse, nesta quarta-feira a delegada Marta Dominguez, em entrevista ao “RJ TV”.

O suspeito de extorsão é pai de uma criança de 10 anos, que contou sofrer abusos há três anos, e da jovem de 19 anos que denunciou o religioso. O pai das crianças nega a acusação de extorsão e diz que foram os advogados da Arquidiocese que perguntaram a ele o que queria para não divulgar as imagens.

O caso veio à tona com a divulgação do vídeo que mostra o padre e uma adolescente de 15 anos nus, fazendo sexo na casa paroquial. De acordo com a denúncia, o vídeo foi gravado pela jovem de 19 anos. Após confessar aos pais que mantinha relações sexuais com o padre desde os 15 anos, ela foi orientada pelo pai a gravar um vídeo. A jovem, então, teria chamado uma amiga de 15 anos, que aceitou participar da gravação. Na terça-feira, quando o caso veio à tona, foi divulgado pela polícia que era a jovem de 19 anos quem aparecia no vídeo. Nesta quarta-feira, foi esclarecido que é a adolescente de 15 anos quem faz sexo com o padre, enquanto a jovem grava as imagens.

A família diz nunca ter desconfiado do religioso, nem ter estranhado os presentes. Durante o tempo em que se relacionou com a filha mais velha do casal – dos 13 aos 19 anos da jovem – o religioso pagou a reforma da casa da família, avaliada em 12 mil reais, deu duas motos e um carro à jovem.

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Na delegacia, a jovem de 19 anos, que é afilhada do padre, contou ter sido convencida pelo religioso a praticar sexo aos 13 anos. Disse também que fez sexo pela primeira vez com o padre em uma banheira de hidromassagem “em formato de coração” na Igreja de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, aos 15 anos.

A mãe da criança e da jovem acusa a igreja de ter tentado proteger o padre. Ela disse ao jornal Extra que Emilson foi transferido da paróquia em Niterói, em 2008, para outra em São Gonçalo, cidade vizinha, para evitar um escândalo. Segundo ela, a fama de pedófilo do religioso estava se espalhando, fato que teria motivado a transferência. Segundo a jovem, o padre se relacionava com outras meninas no bairro.

Procurada, a Arquidiocese de Niterói informou que buscou “atender ao critério de justiça e agir com a máxima integridade”. E que, depois que a Arquidiocese tomou conhecimento da denúncia, o padre foi suspenso imediatamente de suas funções, e o caso foi encaminhado para o Ministério Público.

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