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Paes pede trégua em protestos do Rio: ‘Papa não tem culpa’

Pelo menos três atos estão programados para ocorrer na visita de Francisco à cidade durante a Jornada Mundial da Juventude, a partir da próxima segunda

Por Pâmela Oliveira, do Rio de Janeiro - 16 jul 2013, 13h33

O prefeito Eduardo Paes pediu nesta terça-feira uma trégua aos organizadores dos protestos no Rio de Janeiro durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que começa no próximo dia 23. Para ele, o papa Francisco, que chega à cidade na próxima segunda-feira deve ser poupado das manifestações. “Não é meu papel censurar ou impedir manifestações, mas acho que o papa não tem relação direta nenhuma com os pecados dos governantes brasileiros – a não ser perdoá-los quando há confissão”, disse ele, em coletiva de imprensa para divulgar o planejamento da capital para o evento católico.

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Paes faz o apelo um dia depois de as redes sociais terem começado a planejar novos atos exatamente para chamar a atenção do pontífice. Há pelo menos três atos já programados – todos convocados pelo Facebook, como já é de praxe. O primeiro deles, chamado de “Recepção ao papa”, deve ocorrer exatamente no dia da chegada de Francisco ao Rio, segunda-feira, em frente ao Palácio Guanabara. Outro protesto, batizado de “Papa, veja como somos tratados”, tem a concentração marcada em Copacabana, onde será realizado um dos principais atos do evento, a via-sacra.

O prefeito afirmou que as manifestações “continuarão sendo respeitadas e aceitas”, desde que organizadas de forma pacífica, mas ironizou ao apontar o papel do pontífice diante das reivindicações populares: “Não sei se o papa Francisco tem culpa da eventual corrupção da política brasileira. O bom é que as autoridades se confessem com ele e deixem de cometer seus pecados”. Em entrevista ao site de VEJA na semana passada, o general José Alberto da Costa Abreu, comandante da 1ª Divisão do Exército e coordenador de defesa de área da JMJ, adiantou que quem tentar promover qualquer mobilização no espaço sob o controle das Forças Armadas será “convidado a se retirar”.

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Copacabana – Na coletiva desta terça, a prefeitura também detalhou o planejamento de trânsito durante a Jornada. Na praia de Copacabana, o esquema será semelhante ao do réveillon, com bloqueios no trânsito de veículos e acesso ao metrô com horário pré-determinado. Paes pediu paciência aos moradores em relação a possíveis congestionamentos e fechamentos das vias. Copacabana terá interdições em três dias: 23, quando o arcebispo do Rio celebrará uma missa no Leme, e 25 e 26, quando ocorre a acolhida ao papa e a via-sacra.

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Para facilitar a mobilidade, principalmente na Zona Sul, fo decretado quatro dias de feriado, entre 23 a 29 de julho. O primeiro e o último serão parciais, a partir das 16h e até o meio-dia, respectivamente. Nos dias 25 e 26, quando os atos centrais ocorrem na Praia de Copacabana, Zona Sul, a folga será integral. A restrição vale para todas as categorias profissionais e atividades econômicas, como fábricas, serviços, empresas, bancos, universidades, etc. Ficam excluídos do feriado comércio de rua, bares, restaurantes, centros comerciais e shoppings centers, galerias, estabelecimentos culturais e pontos turísticos. Serviços públicos essenciais serão mantidos.

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Guaratiba – O feriado do dia 29 foi criado para facilitar a saída dos peregrinos de Guaratiba, na Zona Oeste, onde será celebrada a missa de encerramento da JMJ. A evacuação do local será um dos principais desafios da organização do evento, que calcula serem necessárias dez horas de operação para organizar a saída de um público hoje estimado em 1,5 milhão por apenas três vias. “As pessoas terão de se programar para essa espera. Sai primeiro quem chegou por último. E sai por último quem chegou primeiro e está mais perto do palco”, explicou o secretário de transportes, Carlos Osório.

A previsão de público foi reduzida – já se falou em mais de 2 milhões de pessoas. Osório detalhou que o terreno onde o papa Francisco celebrará a missa de encerramento em Guaratiba tem capacidade máxima para 1,5 milhão. Dessa forma, quando a quantidade de peregrinos estiver se aproximando dessa marca, agentes da prefeitura começarão a barrar o acesso ao local para evitar superlotação. Segundo o secretário de turismo do Rio, Antonio Pedro Figueira, a JMJ deve trazer 800.000 turistas à cidade.

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