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Pacientes relatam abuso sexual em clínica de Farah

No mesmo local onde a paciente e amante do ex-cirurgião foi morta, mulheres relataram terem sido dopadas e sofrido abuso sexual

No segundo dia do julgamento do ex-cirurgião Farah Jorge Farah, acusado de matar e esquartejar Maria do Carmo Alves, serão ouvidos no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os depoimentos das testemunhas. Ainda resta o testemunho de uma pessoa da acusação e de todas as sete de defesa. Os trabalhos foram retomados nesta terça às 11 horas. A expectativa é que o juiz Rodrigo Tellini ouça as testemunhas até as 22 horas.

Na segunda, casos de supostos abusos sexuais vieram à tona por testemunhas de acusação do júri. Os casos teriam acontecido com mulheres que foram pacientes de Farah e frequentavam a clínica onde o médico trabalhava, mesmo lugar em que Maria do Carmo foi morta. O delegado responsável pelo inquérito, em 2003, Italo Miranda Júnior contou que pacientes o procuraram dizendo que ficaram dopadas e sentiam cheiros de frutas nas cirurgias. Algumas delas, que passaram por operações nos seios, reclamavam de dores na vagina. “Ele dizia que era efeito dos remédios”, afirmou o delegado.

Maria das Graças Amaro, ex-paciente, teve uma necrose no umbigo após passar pelo consultório. “Eu só lembrava de ele falando no meu ouvido ‘quer namorar comigo?’ e de quando eu voltava em casa e sentia meu corpo diferente.”

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Relembre o caso – Réu confesso, o ex-cirurgião foi preso três dias depois de ter matado a amante Maria do Carmo, de 49 anos, com requintes de crueldade em 2003. Em 2007 Farah foi solto e, desde então, aguarda julgamento em liberdade devido a um habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal.

No ano passado, a defesa de Farah conseguiu que a Justiça decretasse como prescrito o crime de ocultação de cadáver. De acordo com a promotoria, para esconder o corpo de Maria do Carmo, ele o cortou em pedaços e guardou-os no porta-malas do carro.

Condenado em 2008 a treze anos de prisão por homicídio e ocultação de cadáver, Farah voltou a ser julgado nesta segunda-feira. Desde que o primeiro julgamento foi anulado a pedido da defesa no Tribunal de Justiça de São Paulo, em janeiro de 2013, o novo júri foi adiado cinco vezes.

(Com Estadão Conteúdo)