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‘Orem por mim’, pede a fieis padre acusado de abusar de garoto

Algemado, acusado de abusar sexualmente de um adolescente de 15 anos, o padre Fabiano Santos Gonzaga falou com exclusividade a VEJA

Por Ullisses Campbell, de Caldas Novas 11 jun 2016, 15h20

Algemado, acusado de abusar sexualmente de um adolescente de 15 anos, o padre Fabiano Santos Gonzaga falou com exclusividade a VEJA. Ele está preso na unidade prisional de Caldas Novas, será indiciado por estupro de vulnerável (Artigo 217 do Código Penal) e poderá pegar até 15 anos de cadeia. Segundo diz em sua defesa, o jovem teria inventado essa história por ter sido rejeitado pelo sacerdote dentro da sauna e por ter transtorno mental. Aparentando tranquilidade, o religioso se diz vítima de uma grande injustiça e sonha em voltar a celebrar missas em sua paróquia, no município de Frutal (MG); pede aos seus fiéis que orem por ele.

O senhor é padre e é acusado de estuprar um adolescente vulnerável de 15 anos. Tem receio de apodrecer na cadeia?

Nem cheguei a pensar nisso.

Como o senhor se defende dessa acusação?

Não tinha como eu praticar sexo oral no garoto e ainda ejacular em sua boca uma vez que a sauna estava aberta ao público e sem tranca na porta.

Quando entrou na sauna, o garoto já estava lá?

Sim. Estavam ele e um senhor de mais ou menos 60 anos. O senhor saiu logo em seguida e o garoto me cumprimentou com os olhos. Eu perguntei o seu nome e se estava tudo bem. Ele me disse que estava hospedado na casa de um tio em Caldas Novas. Depois ele ficou parado me olhando. Achei ele estranho por não interagir e saí da sauna. Não fiquei lá dentro nem cinco minutos.

O que houve depois?

Estava sentando com os meus amigos e uma senhora loira me abordou dizendo: “seu nego safado. Não tem vergonha não?”. O menino veio em seguida com duas amigas da mãe. Ela gritava dizendo que o filho dela é doente e que eu não podia ter feito aquilo. Não entendi nada naquele momento. Fomos levados para a delegacia e o menino disse que eu tinha ejaculado na boca dele. Me senti constrangido e sem entender muito a história.

Quando tentou conversar com o garoto, percebeu que ele tinha algum tipo de deficiência?

Não. Eu só reparei que ele não me respondeu. Mas não deu para perceber nada.

O senhor se diz vítima de injustiça, mas tem cinco pessoas acusando você e a juíza não quis soltá-lo. Afinal, como o senhor se meteu nessa confusão?

Tentando pensar sobre isso, cheguei à conclusão que o menino ficou interessado em mim. Mas, como eu não correspondi, ele acabou inventando toda essa história por ter um retardo mental. A mãe tomou a história como verdadeira e já veio me acusando por eu ser minoria.

O que agravou a sua situação?

O fato de ser padre me complicou, pois há o estereótipo de que todo padre é tarado, pedófilo e gosta de criancinha.

A rigor, uma pessoa que está presa acusada injustamente de estuprar um menor vulnerável ficaria desesperada, mas percebo que o senhor está se defendendo tranquilamente. Essa sua postura não levanta uma dúvida sobre a veracidade da história que o senhor conta?

Na hora, eu não me desesperei porque não sabia direito o que estava acontecendo. Fui conduzido sem saber o motivo. Quando fui preso, aí sim, eu me desesperei.

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O que o senhor está sentindo nesse momento?

Injustiçado pela situação e pela mídia. Humilhado porque as testemunhas estão faltando com a verdade e preocupado porque tenho família.

Consegue imaginar o que vai acontecer com o senhor daqui para frente?

Não. Mas tenho que provar a minha inocência. Não sei como isso vai acontecer.

Quando o senhor resolveu ser padre?

Desde pequeno. Quando era criança, ia à missa com uma prima e sentia um encantamento. Em seguida, virei coroinha e sacristão. Aos 18 anos entrei no seminário e fui ordenado padre aos 25.

Será que a sua carreira de padre acabou com esse escândalo sexual?

Não, até porque vou provar a minha inocência. Agora, fica difícil recuperar a ferida moral.

Diante de uma acusação tão grave como essa, é possível recuperar o respeito dos fiéis?

Sim, até porque a minha vida religiosa na paróquia mostra o contrário de tudo isso que estão me acusando.

Como o senhor processa essa situação no campo religioso?

Acho que é uma provação. Um momento triste, doído e dolorido.

Se o tempo voltasse atrás, o que o senhor faria diferente?

Eu não estaria naquele clube.

Que mensagem o senhor quer mandar aos seus fiéis?

Orem por mim.

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