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Ordem para matar PMs saiu de Paraisópolis, diz governo

Quase 90 policiais forma mortos neste ano; favela está ocupada pela polícia

Por Da Redação - 30 out 2012, 11h17

O governo de São Paulo admitiu, pela primeira vez, que traficantes da favela de Paraísópolis, na Zona Sul, orderam atentados contra policiais militares na capital. “Dali emanaram algumas ordens de atentados contra PMs”, afirmou o secretário da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, nesta segunda-feira, minutos antes de chegar à favela, ocupada horas antes por 600 homens da Tropa de Choque da PM. O objetivo é asfixiar o tráfico de drogas e causar prejuízos ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação na segunda maior favela de São Paulo deve durar pelo menos um mês.

As mortes de PMs, quase 90 só neste ano, são apontadas por especialistas como a principal causa do aumento de homicídios na capital – no mês de setembro, eles cresceram 96%, em comparação com o mesmo mês do ano passado. Muitas das execuções de policiais são seguidas por ações de criminosos em motos ou carros, que, mascarados, atiram indiscriminadamente contra suspeitos de usar drogas ou supostos ladrões ou traficantes – o que as famílias das vítimas dizem ser ação de policiais.

Oficialmente, o secretaria informa que o objetivo da operação em Paraisópolis é “combater o tráfico de drogas e diminuir roubos na região, além de dar sossego a quem vive na comunidade.” Mas dados de criminalidade mostram que a região registrou apenas um assassinato no mês passado e queda de roubos e furtos, em relação a agosto.

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Esconderijo – O que torna Paraisópolis importante do ponto de vista criminal é o fato de a comunidade ter virado uma espécie de esconderijo de traficantes do PCC e ladrões que agem no Morumbi. Policiais ocuparam a comunidade após investigação que contou com grampos telefônicos e infiltração de agentes na região. Foram apreendidos 130 kg de maconha, 6 kg de cocaína, 50 frascos de lança-perfume e um fuzil. Também foi preso Edson Santos, de 31 anos, o Nenê. Ele é acusado de ser o “disciplina” do PCC em Paraisópolis, responsável pelo “tribunal do crime” na região.

Os “julgamentos” ocorriam no campo do Palmeirinha, tomado na segunda-feira pela Tropa de Choque. Nenê era o braço direito do chefão do tráfico na favela: Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, preso em 26 de agosto pela Polícia Federal em Itajaí (SC).

Segundo o deputado Major Olímpio, o traficante disse aos policiais que o prenderam que a ordem da facção é matar um PM a cada integrante do PCC preso e matar dois PMs a cada bandido morto. O vereador eleito Conte Lopes (PTB) disse que ouviu a mesma informação.

O secretário Ferreira Pinto afirmou ainda que a operação em Paraisópolis é “só a primeira de outras que devem ser feitas pela PM para combater a onda de homicídios.” Mas tentou minimizar o poder do PCC, afirmando que o tráfico não é monopólio da facção.

Na favela, a presença de PMs a cavalo e fortemente armados causou estranheza e críticas. Moradores reclamam de não terem sido informados. Apesar do aparato policial, até o início da noite o comércio funcionava normalmente.

(Com Estadão Conteúdo)

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