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Orçamento gerido por políticos sem mandato desmoraliza ainda mais o Congresso

Investigações da PF mostram que políticos sem votos administraram fatias milionárias de verbas federais com a leniência de deputados eleitos

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 12h14 | Atualizado em 13 jul 2026, 12h25
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Numa democracia em que as instituições funcionam de forma plena, políticos são eleitos pelo voto popular para administrar os rumos do Estado. Um dos trabalhos mais nobres dos políticos eleitos é a elaboração e administração do Orçamento.

Embora seja redigida pelo governo, a peça orçamentária não é responsabilidade exclusiva do Executivo. No Legislativo, cabe aos senadores e deputados, além de discutir e votar o projeto, modificá-lo por meio das emendas parlamentares, definindo prioridades de acordo com a capilaridade dos mandatos distribuídos pelas diferentes unidades da federação.

É esse gigantesco e solene rito democrático, consagrado e renovado em eleições de quatro em quatro anos, que parece ter sido desmoralizado pelos políticos a partir do orçamento secreto. Investigações da Polícia Federal apontam que ex-deputados sem mandato parlamentar, mas com influência nos partidos que dominam o Parlamento, manipulavam o orçamento público como se eleitos fossem.

Valendo-se da omissão dos parlamentares efetivamente eleitos, que concordaram — traindo a vontade do eleitor — com o esquema clandestino de administração do Orçamento, esses políticos passaram a usar o dinheiro público em projetos pessoais de poder, definindo o destino das verbas de acordo com negociatas políticas e conveniências eleitorais e não a partir das reais necessidades do país.

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Essa forma de corrupção do mandato parlamentar levou o ministro Flávio Dino, do STF, a determinar o bloqueio de 6,1 milhões de reais do ex-deputado Eduardo Cunha e de mais de 100 milhões de reais do presidente do PL e também ex-deputado Valdemar Costa Neto.

Na sexta, em entrevista ao VEJA em Foco, o telejornal de VEJA+TV, Valdemar não só admitiu ter indicado as emendas como revelou que todos os presidentes de partido adotam a mesma prática.

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“Isso é fazer política, não está errado, está certo”, disse Valdemar, destacando que esse gerenciamento clandestino do Orçamento seria feito no Congresso “a vida inteira, desde que existe emenda”.

A decisão de Dino está amparada em provas obtidas pela Polícia Federal na investigação sobre o orçamento secreto na Câmara, que era operado pela servidora Mariângela Fialek, a mando dos políticos.

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Pela lei, apenas parlamentares eleitos pelo voto popular podem propor e analisar propostas no Parlamento. Não há, em nenhum ponto da Constituição, autorização para que deputados eleitos violem seu mandato para permitir negociações como as flagradas no caso de Costa Neto e Cunha.

É um péssimo sinal, para a credibilidade do Congresso e do próprio sistema democrático, que qualquer um — com os contatos certos na política – consiga manipular o orçamento público dessa forma, sem mandato parlamentar.

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A cada quatro anos, os novos deputados eleitos firmam o seguinte compromisso de posse: “Prometo manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil”.

Não há, no texto, nenhuma autorização para que deputados coloquem o mandato parlamentar que receberam do eleitor a serviço de interesses obscuros, como os ora descobertos pela Polícia Federal.

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O caso reforça ainda a importância da identificação dos autores das emendas parlamentares, para que os deputados que compactuaram com o esquema também possam ser responsabilizados pelos desvios atestados pela Polícia Federal.

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