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Oposição quer usar suspeitas contra Jucá para adiar votação da meta fiscal

Senadores de oposição ao governo interino de Michel Temer (PMDB) anunciaram nesta segunda-feira que pretendem obstruir as votações no Senado e na sessão do Congresso Nacional. O motivo são as revelações, feitas pelo jornal Folha de S. Paulo, de que o ministro do Planejamento Romero Jucá sugeriu um pacto para paralisar a Operação Lava Jato e conter a “sangria” provocada pelas investigações.

“Inviabilizaram o governo da presidente durante dois meses e agora em menos de 24 horas úteis vamos receber uma meta totalmente diferente e isso vai para votação do Congresso Nacional. Não devemos permitir que isso seja votado amanhã, principalmente porque estamos com uma crise no Ministério do Planejamento, que é condutor desse processo”, disse a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que tenta angariar apoios para que seja adiada a sessão do Congresso Nacional convocada para votar nesta terça-feira o tamanho do rombo nos cofres da União.

“Vamos obstruir a pauta do Senado, da Câmara e do Congresso. Não podemos votar. A presidente Dilma tem a mudança da meta desde fevereiro e está contingenciando até agora. Se fosse a Dilma que tivesse enviado o déficit para 170 bi (sic) seria um escândalo. Essa discussão da votação da meta não pode acontecer no afogadilho no dia de amanhã”, completou o senador Lindbergh Farias (PT-RJ). “Não há clima. Não há confiança em nenhum número que foi lançado para a meta. Não vai ter sessão do Congresso para votar a meta de jeito nenhum”, disse a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM).

Na tarde desta segunda-feira, o presidente interino Michel Temer foi ao Congresso se reúne com o presidente do Senado Renan Calheiros para entregar a meta fiscal de 2016 revisada. Os cálculos da nova equipe econômica dão conta de um déficit de 170,5 bilhões de reais, enquanto a projeção de rombo feita pelo governo Dilma beirava os 96 bilhões de reais. Participam da reunião entre Temer e Renan os ministros Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Eliseu Padilha (Casa Civil), Henrique Meirelles (Fazenda) e o próprio Romero Jucá.