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Oposição prepara um manifesto contra Sarney

A oposição prepara para esta quinta-feira a apresentação de um manifesto pelo afastamento do presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). O texto é assinado pelos líderes de PSDB, DEM, PDT e PSOL, que representam suas bancadas, além do senador Renato Casagrande (ES), representando o PSB.

A iniciativa ocorre um dia depois do Conselho de Ética da Casa, cuja maioria é aliada de Sarney, ter arquivado quatro das 11 representações contra o peemedebista. A oposição pretendia recolher assinaturas individuais de parlamentares de seis partidos e entregar uma nota para o presidente do Senado, informando-o de que mais da metade da Casa defende seu afastamento.

O PT e o PSB, porém, hesitaram em assinar a nota, o que levou os senadores a apenas divulgar o manifesto com a assinatura dos líderes. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), porta-voz do movimento, explicou que o manifesto pede a licença de Sarney, o que permite ao peemedebista optar entre o afastamento e a renúncia.

Para Buarque, que a ação mostra que Sarney não tem mais condições de comandar a Casa. “É muito difícil o Senado entrar em ritmo normal enquanto estivermos neste clima”. Ele ainda disse que o grupo recorrerá das decisões de arquivamento das acusações contra Sarney. “Os engavetamentos foram feitos de maneira arbitrária pela tropa de choque que ocupou o Senado com uma violência maior que a dos tanques da ditadura. O Senado está sob intervenção da tropa de choque”, completou.

Buarque ainda ressaltou a importância de manifestações populares nas cidades para mostrar o descontentamento da população com a permanência de Sarney. “É preciso que a população se manifeste. Porque não ter caras pintadas outra vez em defesa da ética? Está na hora de fazer eventos nas cidades e colocar o povo para dizer que quer ética no Senado”. O senador ainda lamentou a decisão do PT de não assinar a nota.

O líder do PT na Senado, Aloizio Mercadante, afirmou que o partido já deu o seu posicionamento em defesa de uma licença de Sarney da função. Em sua página no serviço de microblog Twitter, ele sugere que a oposição anexe ao manifesto as duas notas em que a legenda pede a licença do presidente da Casa.