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Oposição e aliados de Marina lamentam decisão do TSE

Aécio Neves lembrou "truculência do PT" para tentar barrar a sigla de Marina; Eduardo Campos disse que "a sociedade deseja renovação"

Por Gabriel Castro e Laryssa Borges, de Brasília 3 out 2013, 22h55

Aliados e colegas de Marina Silva lamentaram a decisão que impediu o registro do partido da ex-senadora, o Rede Sustentabilidade, na noite desta quinta-feira. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 6 votos a 1, negar o pedido – sob o argumento de que não havia o número mínimo de assinaturas reconhecidas para ser oficializado.

O presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), se pronunciou por meio de nota – e mencionou o projeto, apoiado pelo PT, criado para tentar inibir a criação do partido de Marina Silva. “Acompanhamos desde o início o esforço de Marina Silva para formação da Rede, e fomos solidários a ela, inclusive, quando a truculência do PT se fez mais presente na tentativa de impedi-la de alcançar seu objetivo no Congresso. Lamentamos a decisão do TSE, mas temos que aceitar e respeitar a decisão da Justiça”, disse o tucano.

Uma eventual candidatura de Marina pode ajudar Aécio porque torna mais improvável uma vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno em 2014.

O senador Alvaro Dias (PSDB-PR) diz que o TSE deveria ter barrado também outros partidos com indícios de irregularidades – como os recém-criados Pros e Solidariedade. “Não é fácil contestar a decisão sobre a Rede, já que existe uma legislação que impõe a norma. O que fica difícil de aceitar é a aprovação dos outros dois partidos. Sabe-se que os procedimentos adotados para a viabilização deles não foram os mais éticos. E até o próprio PSD foi aprovado sob suspeição”, disse o parlamentar.

Apesar da possibilidade de Marina se filiar a outro partido a tempo de concorrer à Presidência da República em 2014, o senador Jorge Viana (PT-AC) diz que a decisão do TSE foi ruim para a qualidade da disputa. “A eleição perde muita qualidade sem a presença da Marina. É uma figura extraordinária. Os votos dela são votos muito qualificados, de pessoas que sabem o que querem, e não serão conquistados facilmente”, avalia o petista, aliado histórico da ex-senadora.

Na avaliação de Viana, o fracasso de Marina é um sinal de que a política brasileira não funciona como deveria: “A política está mais para os profissionais. Profissionais que pagam pelas assinaturas conseguem facilmente. A pressão sobre ela agora vai ser muito grande”, disse o senador.

Já o presidente do PSB e possível candidato à Presidência da República em 2014, o governador pernambucano Eduardo Campos, prometeu manter o apoio ao grupo de Marina. “Continuamos solidários aos companheiros da Rede no seu esforço de construir um espaço na cena política. A sociedade deseja renovação, novas práticas. Seria bom para o Brasil ter um ambiente como o da Rede”, disse ele.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), que assistiu à sessão do TSE ao lado de Marina, disse que ela pode optar por não disputar a eleição de 2014: “Parece que ela está decidindo nessa direção. Mas, aparentemente, não há martelo batido”, disse ele.

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