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Operação da PF prende traficantes internacionais no Brasil

Polícia Federal chegou à quadrilha após um ano e meio de investigações, e contou com a ajuda de policiais de EUA, Espanha, Portugal, Colômbia e Uruguai

A Polícia Federal desarticulou nesta segunda-feira uma quadrilha de tráfico internacional que atuava no Brasil. Onze pessoas foram presas – entre brasileiros, colombiano, espanhóis e portugueses – na Operação Nações Unidas, que contou com o apoio da Drug Enforcement Administration dos Estados Unidos (DEA) e também de policiais de Portugal, Espanha, Colômbia e Uruguai. Os acusados responderão por associação, financiamento, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, e podem ser condenados a penas que vão de 8 a 30 anos de prisão.

Alexander Pareja, traficante colombiano Alexander Pareja, traficante colombiano

Alexander Pareja, traficante colombiano (/)

Segundo a PF, a investigação começou há um ano e meio, a partir de uma informação de que o traficante colombiano Alexander Pareja lavava dinheiro no Rio de Janeiro, onde mora há 11 anos. Ele já havia sido preso em 2007, durante a Operação Platina da Polícia Federal, mas foi solto em 2008 e aguarda sentença da 4ª Vara Criminal relativa àquele caso. Agora, foi detido novamente. Além do Rio, mandados de prisão foram executados em São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pará e Rondônia, além de Portugal e Suíça, entre os dias 31 de maio e 03 de junho.

As investigações descobriram que os criminosos transportavam cocaína do Brasil para a Europa dentro de peixes congelados – a droga era escondida em embalagens de gelo gel utilizadas na conservação do produto. Duas denúncias foram oferecidas pelo Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro junto à 7ª Vara Federal Criminal. A Justiça decretou também o sequestro de imóveis, empresas e contas bancárias dos acusados, em um total estimado em pelo menos 5 milhões de reais. Mandados de busca e apreensão também foram expedidos para seis estados brasileiros que são alvo da ação.

Como agia a quadrilha – Conforme o delegado responsável pela operação, Paulo Telles, os criminosos criaram uma empresa de fachada para o transporte da carga que escondia as drogas. “O peixe chegaria em Lisboa (Portugal) por via aérea, utilizando aviões comerciais”, explicou. Em nome de Pareja, apontado como o chefe do grupo, estão postos de gasolina, uma construtora, uma casa na Barra da Tijuca e outra em Angra dos Reis, no Sul Fluminense, tudo usado para lavar o dinheiro da quadrilha.

“O caso traz à tona a persistente e desembaraçada atuação criminosa de Alexander Pareja no Brasil, por ele definitivamente escolhido como um porto seguro para a ocultação e dissimulação de um fluxo permanente de ativos resultantes do narcotráfico”, destaca o procurador da República Fábio Seghese. A lavagem de dinheiro ocorria no Rio, mas o grupo ficava sediado no Rio Grande do Sul, de onde partiram duas remessas de cocaína (somando mais de 75 quilos da droga) para Portugal, entre outubro e novembro de 2012.