Operação contra pirâmide em comunidade cigana apreende helicóptero, BMW e armas
Grupo conseguiu autorização interna da coletividade para praticar fraudes; mais de 2.000 pessoas foram lesadas e R$ 500 milhões foram desviados das vítimas
A polícia e o Ministério Público de São Paulo apreenderam um helicóptero avaliado em cerca de 10 milhões de reais e uma BMW, além de armas de fogo, em operação para desarticular um esquema de pirâmide financeira envolvendo uma comunidade de ciganos que pode ter movimentado meio bilhão de reais.
Batizada de Sanakay — palavra que na língua dos ciganos significa ouro –, a força-tarefa apreendeu, além de um helicóptero Robinson R66 e de uma BMW, seis armas de fogo, munições, uma prensa, quatro quilos de pólvora, estojos e projéteis. Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital paulista, em cidades da região metropolitana e no Rio de Janeiro.
De acordo com o MP, a pirâmide financeira foi aplicada dentro da comunidade de ciganos, com autorização interna, pois os próprios criminosos pertenciam ao grupo. Eles prometiam lucros exorbitantes caso as pessoas investissem dinheiro, com a falsa promessa de que elas estavam comprando ouro, que seria revendido fora do Brasil. As estimativas da investigação são de que os criminosos fizeram mais de 2. 000 vítimas e movimentaram 500 milhões de reais de forma ilícita.
No esquema de pirâmide, a pessoa faz investimentos e é obrigada a trazer novos integrantes para a ciranda financeira. No começo, as primeiras vítimas até recebem algum retorno, o que dá aparência de legalidade no negócio. Depois de certo tempo, os criminosos param de pagar os supostos dividendos e dão um calote nas vítimas.
Segundo o Ministério Público, os ciganos envolvidos com esse crime compraram bens de luxo com o dinheiro das vítimas e usavam dessa aparência de rentabilidade para manter a fraude. Eles são investigados pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Esse mesmo esquema criminoso foi alvo de duas operações anteriores, uma em abril e outra em agosto deste ano, quando foram apreendidos, respectivamente, 52 imóveis e 162 milhões de reais. Esses bens e ativos estavam em nome de 137 pessoas físicas e 32 pessoas jurídicas.





