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Odebrecht diz que Marcelo tratava empresa como “quintal de sua família”

Em nova manifestação à Justiça, empreiteira exibe e-mail de irmã de empresário relatando climão na família após ameaças

Por Thiago Bronzatto - Atualizado em 30 jul 2020, 15h56 - Publicado em 30 jul 2020, 15h28

A guerra travada entre Marcelo e Emílio Odebrecht, filho e pai, tem se transformado num enredo dramático nos tribunais. Na segunda-feira, 27, a maior empreiteira do país, comandada por um fiel aliado de Emílio, contestou na Justiça os mais de 260 milhões de reais em benefícios recebidos por Marcelo durante o seu acordo de delação premiada. Ao questionar a legalidade desse valor, a companhia diz que o jovem empresário estava acostumado a tratar a Odebrecht como o “quintal da sua família”, ou seja, que deveria atender a “todos os seus interesses pessoais”. “Marcelo Odebrecht se vê, de fato, em pedestal acima da empresa e de todos os seus ex-executivos”, afirmou a construtora em uma petição.

Conforme VEJA revelou, a família Odebrecht se envolveu num novo embate nos últimos meses, com troca de acusações, chantagens e disputas por dinheiro. De um lado, Emílio acusa o seu filho de achacar a empresa usando como arma o acordo de colaboração assinado com a Operação Lava-Jato. Do outro, Marcelo diz que o seu pai está usando a companhia para persegui-lo e impedi-lo de revelar segredos que o patriarca teria ocultado das autoridades. Em meio a esse litígio, foi exibida uma série de documentos pessoais do clã — de mensagens de WhatsApp da mãe de Marcelo a bilhetes escritos pelo jovem empresário quando estava preso em Curitiba, no Paraná.

Em sua mais recente manifestação, a Odebrecht alegou que os valores embolsados por Marcelo foram irregulares, porque foram frutos de ameaças do empresário. Para comprovar essa acusação, a companhia exibiu um e-mail de Mônica Odebrecht, irmã de Marcelo, enviado em janeiro de 2017. “Infelizmente meu irmão anda mandando mais ameaças e na sexta mandou uma carta muito ‘forte’ para meu pai. Isso aconteceu na quarta-feira também, em pleno aniversário de meu pai e aí já viu, né. Acabou com o dia de meu pai e de todos!!!!!”, escreveu ela. “Meu pai já avisou que não vai ler mais nada dele. Assim, quero ver com você se evitamos uma revolta maior por parte de MO (Marcelo Odebrecht) pelo fato de ele ficar sem resposta”, complementou.

./Reprodução

De acordo com a empreiteira, é um “absurdo” Marcelo ser recompensado “justamente pelos atos que o levaram à prisão e que conduziram a Odebrecht a mais grave crise financeira e reputacional de sua história”. “O Sr. Marcelo Odebrecht não é vítima de perseguição alguma. Ele está somente respondendo por atos ilegais que cometeu”, afirma a companhia, que conseguiu tanto o bloqueio de valores recebidos pelo empresário como restringir a venda de bens.

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Em sua defesa, Marcelo diz que tem sofrido retaliações da Odebrecht, sobretudo após revelar irregularidades envolvendo aliados de seu pai. Segundo o jovem empresário, Emilio manipulou informações de um acordo de leniência da empresa com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) para evitar que executivos da companhia “tivessem seus prováveis ilícitos revelados por investigações independentes das autoridades norte-americanas”.

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