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Obama aposta na causa gay com aproximação das eleições presidenciais

Por Por Stephen Collinson 10 Maio 2012, 10h27

O presidente americano, Barack Obama, se pronunciou na quarta-feira a favor do casamento entre homossexuais, depois de levar um longo tempo para considerar o tema, o que despertou a especulação de analistas sobre se essa postura o favorecerá nas eleições de novembro.

“Para mim, a título pessoal, é importante dizer que eu penso que os casais do mesmo sexo devem poder se casar”, afirmou o presidente em uma entrevista à rede de televisão ABC.

Ao fazer essas declarações, Obama abandonou a cômoda postura que mostrava até agora, na qual dizia estar “em evolução” a respeito da questão do casamento entre homossexuais, um tema que semeia profundas divisões na esfera política americana.

O risco que corre é claro, apesar da crescente pressão dos liberais para que o presidente democrata defendesse de forma mais contundente sua posição quanto aos direitos dos gays.

Obama sempre teve dificuldades para se relacionar com o eleitorado conservador de raça branca pertencente à classe trabalhadora, e a postura que revelou na quarta-feira sobre uma questão moral tão sensível pode complicar para ele a batalha eleitoral em certos estados-chave do país.

Exemplo disso é a Carolina do Norte (sudeste), que na terça-feira aprovou a proibição do casamento entre homossexuais, assim como uniões civis e concubinatos entre eles.

Alguns especialistas pensam que Obama pode enfrentar um revés por parte dos eleitores hispânicos e negros religiosos, voto importante para obter um novo mandato na Casa Branca.

Tony Perkins, da organização “Family Research Council”, afirmou que 10 dos 16 estados-chave na eleição presidencial já fizeram emendas constitucionais que contradizem a nova posição de Obama quanto ao casamento entre homossexuais.

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“O anúncio de hoje praticamente garante que o casamento (entre gays) será novamente um tema crucial na eleição presidencial”, considerou Perkins.

Dennis Goldford, professor de Ciência Política da Drake University, Iowa (centro-norte), sugeriu que a decisão de Obama reflete um “cálculo e estratégia eleitoral”.

Os democratas tendem a favorecer mais os direitos dos homossexuais, e aqueles que se opõem categoricamente são conservadores que, de qualquer forma, não votariam em Obama, acrescentou.

“A questão é saber se há indecisos sobre este tema que podem se afastar por isso. Mas até agora não sabemos”, apontou.

Também é possível que Obama tenha dado um golpe de mestre ao decidir mostrar atitudes liberais no tema dos homossexuais, junto no momento indicado.

Segundo analistas, a percepção pública do casamento entre gays está evoluindo mais rapidamente que qualquer outro tema político nos Estados Unidos.

Cada vez mais gente entra em contato com famílias de pais do mesmo sexo, um ponto que Obama evocou na entrevista, ao dizer que falou disso com suas filhas.

Uma pesquisa do jornal The Washington Post sugere que a opinião dos americanos no tema evoluiu, no mesmo sentido que a de Obama: em 2008, apenas 36% apoiavam a legalização do casamento entre gays, contra 52% no último estudo.

As declarações de Obama foram feitas dias depois de o vice-presidente, Joe Biden, ter mudado a postura que tinha em 2008 sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ao se declarar desta vez a favor, em uma entrevista divulgada no domingo pela rede NBC.

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