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O retorno do compositor João Santana

Em prisão domiciliar, Santana está próximo de concluir um livro sobre marketing político

Por Estadão Conteúdo - Atualizado em 10 fev 2019, 09h14 - Publicado em 10 fev 2019, 09h13

O marqueteiro João Santana, condenado na Operação Lava Jato por lavagem de dinheiro, e desde outubro do ano passado em prisão domiciliar, voltou a fazer letras de música com parceiros do antigo grupo Bendegó — entre eles, Winston Barreto, o Gereba, de 73 anos, e em plena atividade artística. Santana tem 66. “Depois de 40 anos, voltamos a compor”, disse Gereba. “Já fizemos 12 músicas, e o João continua aquele poeta fera, de alto nível, muito melhor do que antes.”

Entre as músicas que fizeram, está O Lema de Rondon, uma homenagem de Patinhas, apelido artístico de Santana nos velhos tempos, ao marechal e sertanista Cândido Rondon (1865-1958). O lema do militar, que consta da letra, é: “Morrer, se preciso for; matar, nunca”. Santana deixou o cabelo crescer e está usando barbicha. “Parece um filósofo grego”, comparou Gereba.

O outro parceiro de Santana é Jair Ventura dos Santos, o Kapenga, igualmente ex-Bendegó, e responsável pela parte musical das campanhas políticas nos tempos em que o marqueteiro atuava nesse ramo. Somando Gereba e Kapenga, as músicas já chegam a 30. “João ainda não resolveu como e quando o trabalho será divulgado, mas estamos conversando sobre isso”, disse Gereba. Algumas das novas letras de Santana homenageiam grandes compositores de samba, como Cartola e Nelson Cavaquinho. Gereba e Kapenga estão na lista autorizada de visitas que o marqueteiro pode receber.

João Santana e sua mulher, Mônica Moura, marqueteiros do PT e de outros partidos, foram alvo da 23ª fase da Operação Lava Jato, de fevereiro de 2016, acusados de receber milhões de dólares em conta secreta no exterior e no Brasil. As duas sentenças do então juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, condenaram o casal, somadas as penas, a 15 anos de prisão. Como fizeram delação premiada, passaram a cumprir as penas em regime domiciliar, com tornozeleira eletrônica. O regime passará a semiaberto — quando poderão sair para trabalhar de dia, voltando à noite — em abril.

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Interlagos

O domicílio-prisão é a casa de Santana no condomínio fechado Interlagos, de alto padrão, em Camaçari, próximo a Salvador. Há pouco mais de três meses, ele perdeu a mãe, dona Helena.

Além de compor com a turma do Bendegó, Santana está próximo de concluir um livro sobre marketing político. Entre suas conquistas na profissão que o tornou milionário, estão a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, igualmente condenado na Lava Jato e preso desde abril do ano passado, e as duas eleições da presidente Dilma Rousseff, depois alvo de impeachment.

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