O que os EUA disseram ao Brasil sobre o combate ao PCC e ao CV em reunião bilateral
Encontro ocorreu durante conferência no Peru e terminou com sinalização de interesse brasileiro em fortalecer ações conjuntas nas fronteiras
A primeira reunião bilateral entre integrantes do governo Donald Trump e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas teve como principal tema a ampliação da cooperação entre os dois países no combate ao narcotráfico. O encontro ocorreu nesta quarta-feira, 8, em Cusco, no Peru, durante a 17ª Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA).
Segundo informou o Ministério da Defesa, em nota, o encontro foi solicitado pelo próprio governo americano. Representando Washington, o subsesecretário de Defesa para Política, Elbridge Colby, afirmou que os Estados Unidos buscam fortalecer parcerias no continente para enfrentar o crime organizado transnacional e apontaram o Brasil como um dos principais interlocutores para essa estratégia.
Embora a pasta não confirme que PCC e Comando Vermelho tenham sido citados nominalmente durante a conversa, o tema surge poucas semanas depois de o governo Trump enquadrar as duas facções brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. A decisão ampliou os instrumentos legais disponíveis às autoridades americanas para combater organizações criminosas com atuação internacional e abriu uma nova frente de diálogo com o governo brasileiro sobre segurança regional.
Na ocasião, o Ministério da Defesa brasileiro evitou assumir protagonismo sobre o tema. José Múcio manifestou interesse em aprofundar a cooperação com os Estados Unidos, mas destacou que o combate ao narcotráfico é uma atribuição do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Como contribuição da Defesa, apresentou iniciativas conduzidas pelas Forças Armadas nas regiões de fronteira, onde militares participam de operações de vigilância e apoio ao enfrentamento de crimes transnacionais.
A posição representa uma diferença de enfoque entre os dois governos. Enquanto Washington tem ampliado a atuação do Departamento de Defesa em temas relacionados ao crime organizado internacional, o governo brasileiro mantém a condução das políticas de combate ao narcotráfico sob responsabilidade do Ministério da Justiça, reservando às Forças Armadas ações voltadas à proteção das fronteiras e ao apoio logístico.
Mais cedo, antes da reunião, a assessoria de José Múcio havia informado à VEJA que o ministro trataria nas reuniões bilaterais de temas como exercícios militares conjuntos, intercâmbio de militares e troca de experiências entre as Forças Armadas, sem confirmar se a recente classificação do PCC e do Comando Vermelho seria objeto das conversas. A nota divulgada após o encontro confirmou que o combate ao narcotráfico integrou a pauta, mas reiterou que a política brasileira para essa área permanece sob coordenação do Ministério da Justiça.
De acordo com a pasta, a reunião transcorreu em “clima de cordialidade” e com convergência de posições entre as duas delegações. Além dos Estados Unidos, José Múcio mantém encontros bilaterais com representantes de outros países durante a conferência, principal fórum multilateral de ministros da Defesa das Américas, que reúne delegações de 34 países para discutir cooperação regional, segurança e combate ao crime transnacional.







