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O que estava fazendo quando soube dos atentados de 11 de setembro?

Por Stan Honda 8 set 2011, 17h21

Todos nos Estados Unidos recordam onde estavam e o que faziam, ao saber do atentado contra o World Trade Center: dez anos depois do dia infame que marcou para sempre a história do país, a AFP ouviu diferentes pessoas sobre como o viveram.

– Bob O’Brien, de 68 anos, funcionário da manutenção, estava trabalhando perto do World Trade Center, onde se erguiam as Torres Gêmeas.

“Depois do impacto de um dos aviões, 10 ou 15 minutos mais tarde vi pessoas que se atiravam pelas janelas, Fui para a rua, achando que eram apenas roupas. Algúem me disse então: ‘Não, são corpos’. São pessoas se jogando”.

– A rainha americana do talk show, Oprah Winfrey, estava se preparando para gravar dois episódios em seu estúdio de Chicago.

“Estava sentada na poltrona de maquiagem quando minha melhor amiga Gayle gritou: ‘Ligue a televisão’. Fui testemunha do inimaginável, e soube que a vida, tal como a conhecia, nunca mais seria a mesma. A angústia era maior do que podia suportar. Senti-me devastada, confundida, profundamente triste”.

– Dawud Walid, diretor da filial em Michigan do Conselho de Relações Americano-Islâmicas, estava em casa, num subúrbio de Detroit, preparando-se para ir trabalhar.

“Tudo o que podia pensar era ‘Oh, meu Deus, que não sejam muçulmanos’. Nos dias seguintes, todos os pneus de meu carro apareceram pichados. Uma das minhas janelas foi quebrada. Recebi telefonemas de ódio. Muitos de nós passaram por isso.

Muitas mulheres deixaram de usar véus, por medo de serem atacadas. Alguns homens fizeram a barba. Foi traumático”.

– O astro de cinema Arnold Schwarzenegger estava despertando, na Califórnia, cuando ouviu as primeiras notícias do que estava ocorrendo, na outra ponta do país.

“Me surpreendi e fiquei horrorizado quando vi a tragédia na televisão. Não podia sequer imaginar a dor das vítimas e de suas famílias e, ao mesmo tempo, estava absolutamente assombrado ante a valentia dos primeiros socorristas que vimos correndo em direção aos prédios. Telefonei para o prefeito (Rudy) Giuliani, para lhe perguntar se havia algo que pudesse fazer.

O prefeito me pediu para alegrar as crianças quando estivessem deprimidas porque me viam como o herói que interpretei em meus filmes; mas, quando lanchei um dia nos postos dos bombeiros e rezava com eles, não havia dúvidas sobre quem eram os heróis. No fim, eu é que acabei sendo estimulado”.

– O então presidente dos Estados Unidos George W. Bush fazia uma visita à escola Booker Elementary School em Sarasota, Flórida (sudeste), quando começaram os ataques. Em sua autobiografia, descreveu o que sentiu ao saber da notícia.

“Minha primeira reação foi de indignação. Alguém havia se atrevido a atacar os Estados Unidos. Iam pagar por isso. Então, olhei os rostos das crianças que estavam na minha frente. Imediatamente me veio à mente o contraste entre a brutalidade dos atacantes e a inocência das crianças. Milhões delas estariam logo contando comigo para protegê-las. Estava decidido a não decepcioná-las”.

– Beth Faitelewicz, de 50 anos, uma enfermeira do Centro Médico Beth Israel de Nova York.

“Entrei no hospital – fui diretamente para o setor de emergência- estava disposta a fazer o máximo que pudesse numa situação desse tipo. O pior é que não recebemos ninguém”.

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– Carla Shapiro, de 55 anos, artista e fotógrafa de Nova York, estava dando aula no Brooklyn quando os aviões se arremessaram contra as torres na zona do porto.

“Podíamos sentir o odor do metal, podíamos sentir até o gosto de metal e o cheiro da fumaça e não conseguíamos saber o que estava acontecendo”.

– Molly Crabapple, então prestes a fazer 18 anos, estava perto do World Trade Center quando os aviões foram lançados.

“Estava num café. Ouvi que um avião havia sido atirado contra as torres, e pensei, ‘Oh, deve ser um idiota rico’. Mas logo compreendi. Ao sair, vi as pessoas cobertas de cinza branca correndo e uma criança chorando”.

– Vicente Kam, então tenente-coronel do exército americano, participava de uma reunião na manhã em que o voo 77 bateu contra o Pentágono, em Washington.

“Por volta das 09H30 ouvi uma forte explosão. Os andares, as paredes e o prédio todo estremeceu. Uma grande quantidade de poeira e fumaça começou a encher o local. No começo, era fumaça branca.

Podia ver a bola de fogo vindo para mim, para a janela. Mas, milagrosamente, a janela ficou intacta e não estilhaçou.

Quando olhei a porta da sala de conferências, pude ver que o terceiro andar havia desabado. Também vi chamas que saíam do segundo andar. Era uma fumaça negra, realmente pesada, que começou a encher o escritório.

Podia ver as pessoas gritando, mandando que saíssemos. Eu sabia que tinha de fazê-lo”.

– Jill Pascoe estava em sua casa, em Morristown, Nova Jersey, a 50 quilômetros de Nova York.

“Não podia acreditar no que estava ouvindo e me senti mal porque (meu marido) Josh estava num avião que decolou no momento exato em que os outros foram sequestrados.

Fui à casa de minha avó e esperei duas horas até saber notícias de Josh. Foi uma confusão… a televisão continuavam tranmitindo, os telefones celulares não funcionavam bem, era uma loucura.

Sinto calafrios e meu estômago ainda dói até hoje, ao pensar que Josh pegara um avião naquela manhã e sobre como tivemos sorte”.

– Melissa Woods, de 28 anos, estava numa sala da escola secundária de Shaker Heights, Ohio.

“Ouvi um grito procedente da sala de arte onde a TV estava ligada. Havia imagens ao vivo dos repórteres emergindo de uma nuvem de cinza branca, desorientados. As pessoas saíam dos escombros como zumbis.

Eu chorava histericamente, com o coração disparado; nunca havia sentido esse tipo de medo antes”.

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